Índios apostam em sistema de produção da Embrapa
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Agronegócio

Índios apostam em sistema de produção da Embrapa

Esse sistema, que tem na criação de peixes o coração da cadeia produtiva, é a esperança dos guajajaras e gaviões para um novo rumo na vida
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Os índios guajajaras e gaviões, das 49 aldeias do município de Amarante do Maranhão, a 835 quilômetros a oeste de São Luís, terão agora a oportunidade de melhorar a qualidade de vida a partir da produção de alimentos em sistema integrado, em áreas de até 1.200 metros quadrados.


Manoel Bandeira Gavião, 27 anos, Bernardo Guará Gavião, 22 anos, Ozeas Guajajara, 38 anos e Daniel Sousa Guajajara, de 26 anos, foram treinados este mês pela Embrapa Meio-Norte, no município de Parnaíba, a 348 quilômetros ao norte de Teresina, e são agora multiplicadores de informações sobre o sistema.

Eles voltaram às aldeias capacitados para instalar unidades piloto do Sistema Alternativo à Produção Integrada de Alimentos, através do Projeto Arco Verde, do Governo Federal, na Amazônia Legal. Os índios são assessorados pelos pesquisadores Luiz Guilherme, Laurindo Rodrigues e Janaína Kimpara, responsáveis pela ação.

Esse sistema, que tem na criação de peixes o coração da cadeia produtiva, é a esperança dos guajajaras e gaviões para um novo rumo na vida. As 49 aldeias sofrem com o desmatamento e a escassez de alimentos. “Esperamos melhorar a nossa alimentação e passar ensinamentos para os mais jovens”, diz Ozeas Guajajara.


SISTEMA INTEGRADO

O sistema instalado em uma unidade demonstrativa piloto na Embrapa, em Parnaíba, consiste em um tanque de piscicultura; um galinheiro; um minhocário; uma hidroponia; e um abrigo para compostagem ; além de uma horta periférica. O tanque de piscicultura tem capacidade para 5000 litros, e funciona com um sistema de recirculação de água.

A capacidade de produção é de 25 quilos de tilápia em 3 ciclos por ano. Os peixes podem pesar de 150 a 200 gramas ao final de cada ciclo. Todo o sistema, segundo o pesquisador Luiz Guilherme, reutiliza a água do tanque de piscicultura, o que reduz os custos de produção e aumenta a oferta de alimentos.

CONFRONTOS E DESMATAMENTO

Amarante do Maranhão tem uma área de 7,6 milhões de quilômetros quadrados e uma população de 38 mil habitantes, segundo o IBGE. O Índice de Desenvolvimento Humano é de 0,582, um dos mais baixos do País. A economia gira em torno da agricultura, pecuária, extrativismo vegetal e do comércio.


Cerca de 54 por cento do território do município são reservas indíginas dos guajajaras, gaviões e krikatis. A área dos guajajaras e gaviões é em torno de 42 mil hectares. Juntas, as duas etnias têm cerca de 8 mil índios em Amarante do Maranhão. A vida deles sempre foi marcada por confrontos e mortes com caçadores, fazendeiros e madeireiros.

Com informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, o Ministério do Meio Ambiente divulgou, em 2008, um ranking com os 43 municípios da Amazônia Legal que foram campeões em desmatamento naquele ano. Amarante do Maranhão estava lá na 42ª posição. Para fazer o levantamento, os técnicos do INPE consideraram áreas que sofreram corte raso – desmate completo – ou degradação progressiva.

Mais informações com o pesquisador Luiz Guilherme, pelo telefone (86) 3315-1202 ou pelos e-mails luiz@cpamn.embrapa.br e luizcg99@yahoo.com.br.

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