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Inverno chuvoso muda a rotina no campo

Há duas décadas não chovia tanto nos meses que são tipicamente de seca, mais propícios a colher do que a plantar


O inverno mais chuvoso das duas últimas décadas alterou completamente a rotina dos agricultores e pecuaristas nas principais áreas de produção do País. Algumas atividades, como a pecuária leiteira, reflorestamento e culturas de frutas, tiveram benefícios com o grande volume de água incorporado ao solo. Outras, especialmente as lavouras de inverno, como o trigo e o milho safrinha, foram bastante prejudicadas. As chuvas impediram o manejo adequado das lavouras, prejudicando o calendário de pulverizações e a preparação da colheita. Além do ataque de doenças causadas por fungos, o atraso na colheita depreciou a qualidade dos grãos.

Na região de Itapeva, no sudoeste paulista, apenas no mês de julho choveu em média 280 milímetros, o maior índice dos últimos 32 anos, de acordo com a Secretaria da Agricultura do Estado. Pelo menos 15 mil hectares de trigo plantados em meados de abril foram afetados por doenças fúngicas, como giberela e brusone. "As perdas oscilaram entre 30% e 80%", informou o dirigente da Secretaria em Itapeva, engenheiro agrônomo Vandir Daniel da Silva.

FORMAÇÃO DE GRÃOS

O excesso de umidade atingiu as lavouras no período da formação de grãos, quando as plantas se tornam mais suscetíveis ao ataque dos fungos. O produtor Diogo Yoshio Oi, de Itapetininga, registrou perdas entre 30% e 40% nesse período. Para piorar, as chuvas atrapalham também a colheita, iniciada há uma semana, prejudicando a qualidade dos grãos.

Em Buri, o agricultor Frederico D"Avila viu as culturas de trigo serem infestadas pela brusone. Com o tempo chuvoso, não houve condições de entrar com equipamentos para fazer o controle preventivo. "Depois que o fungo se instala, não tem mais o que fazer", diz.

Pelo menos um quarto da produção se perdeu. "De longe, parece um trigo bonito, mas quando a gente colhe os cachos percebe que eles estão leves porque não granaram."

O trigo mais tardio escapou do fungo, mas foi prejudicado pelo excesso de chuva na colheita. O tempo úmido aumentou os gastos com a manutenção do maquinário usado nas culturas e com a secagem dos grãos colhidos. Os preparativos para a nova safra também estão atrasados.

Indiretamente, as chuvas que afetaram o trigo vão atingir também os produtores de milho. Em razão dos preços baixos do grão, muitos produtores estocaram o milho já colhido à espera de uma reação no mercado. Como grande parte do trigo não atingiu os índices mínimos de qualidade exigidos pelos moinhos, a produção será vendida para fábricas de ração. "Esse trigo vai competir com o milho, mantendo os preços baixos", diz Silva.

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