Irlandeses protestam contra a venda do frango barato
A queixa não está voltada diretamente contra o produto importado, mas para uma das maiores redes de supermercados em atuação na Irlanda e Reino Unido – a Tesco
Mas, ao contrário do esperado, a queixa não está voltada diretamente contra o produto importado, mas para uma das maiores redes de supermercados em atuação na Irlanda e Reino Unido – a Tesco.
Depois que dois “chefs” britânicos – um deles, Jamie Oliver, com programa diário na TV a cabo brasileira – decidiram, em nome do bem-estar animal, protestar contra as criações industriais, o frango britânico tem permanecido na berlinda. Contra-atacando, o comércio local reduziu os preços do produto. A maior visibilidade, no caso, ficou com a Tesco, que despertou a atenção de seus consumidores ao alardear o lançamento do frango de £1,99 – o que significou redução de quase 40% sobre o preço normalmente praticado (£3,30 por ave inteira).
Retrucando, os irlandeses põem “a boca no trombone”: segundo a União dos Agricultores do Ulster, uma das maiores províncias da Irlanda, a decisão da Tesco de vender o frango inteiro a esse preço não faz sentido do ponto de vista econômico, particularmente porque, até agora, os custos da produção avícola continuam a evoluir de maneira dramática.
É sabido que, em qualquer lugar do mundo, o frango tem sido a “isca” adotada pelas redes varejistas para atrair consumidores. Daí algumas aberrações observadas na comercialização do produto. Mas a entidade irlandesa faz vista grossa a essa estratégia e lança sua dose de veneno sobre o frango barato, alertando que, a esse preço, deve ter sido produzido em total desrespeito às leis de bem-estar animal. Assim, conclamando avicultores e abatedouros a não cederem à promoção, também alfineta as importações ao observar que “a única maneira de colocar um frango na mesa por £1,99 é apelando para as importações baratas e de baixa qualidade”.
Para a União dos Agricultores do Ulster, é bastante desapontador ver a Tesco caminhar numa direção que desestimula a avicultura local. “No curto prazo, esse procedimento é bom para o consumidor, mas acaba com a produção e os produtores”, afirma. Mas a Tesco refuta, alegando que a única redução praticada está no preço, não na qualidade ou no bem-estar das aves.
A propósito: ao mesmo tempo em que reduziu os preços do frango industrial, a campanha dos “chefs” britânicos valorizou o produto “free range”, procedente de aves criadas à solta: disponível até recentemente por não mais que £5, o frango “free range” está sendo vendido agora por até o dobro do preço, £10.
Não custa lembrar, aqui, que £10 correspondem a quase R$35,00, valor que contraposto aos R$6,85 (£1,99) do frango industrial, mostra a força das campanhas pelo bem-estar animal, o que inclui as criações “free-range”, reconhecidamente arriscadas do ponto de vista da saúde animal.