John Deere suspende produção no RS
A John Deere deve suspender por 116 dias a produção de colheitadeiras na fábrica de Horizontina (RS)
A John Deere deve suspender por 116 dias a produção de colheitadeiras na fábrica de Horizontina, no noroeste do Rio Grande do Sul a partir da próxima segunda-feira (08-05), segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da cidade. A parada é motivada pela queda das vendas no mercado interno, afetadas pelo baixo preço dos grãos, e pelas dificuldades de exportação, disse o presidente do sindicato, Alcindo Kempfer, ao citar as razões apresentadas pela empresa.
O setor tem um comportamento sazonal de vendas, que acompanha a safra. Nesta época, habitualmente diminuem os negócios com colheitadeiras e crescem os de tratores e plantadeiras, explicou Kempfer. “Já enfrentamos um monte de crises, mas esta agora é mais longa”, comentou. Segundo o presidente do Sindicato das Indústria de Máquinas e Implementos do Estado, Cláudio Bier, a multinacional realmente vinha planejando dar férias coletivas aos funcionários. “É uma conseqüência natural da queda de 75% nas vendas de colheitadeiras no mercado interno e a valorização do real que inviabilizou as exportações”, completa ele. Com a parada, os funcionários negociam uma alternativa ao corte de salários ou à inclusão destes dias no banco de horas. O sindicato propôs negociar férias deste ano e de 2007. A categoria terá uma reunião com a direção da empresa no dia 11.
O maior contingente de pessoal - 800 operários - está na linha de colheitadeiras em Horizontina. Além desta produção, a John Deere pretenderia parar também a linha de plantadeiras por 63 dias e a de tratores, por 35 dias. A data de início desta interrupção não foi informada aos funcionários. A fábrica gaúcha tem 1,9 mil empregados, mas as áreas administrativas não serão afetadas, disse Kempfer. A empresa não comentou a questão.
De acordo com os metalúrgicos, a crise no setor de máquinas e implementos já provocou a demissão de 9 mil funcionários no Rio Grande do Sul desde outubro de 2004. O Estado responde por mais da metade da produção nacional destes equipamentos.
A categoria realizou assembléia no sábado e elaborou uma proposta para amenizar as demissões e a crise. Ela prevê isenção de ICMS e IPI de máquinas e implementos, subsídio à exportação e mudança na política cambial, informou Kempfer. Em contrapartida, haveria redução da jornada de trabalho, de 44 para 40 horas, e os empresários do setor teriam de se comprometer com a manutenção dos empregos e da massa salarial. A assessoria de imprensa da John Deere disse que empresa não confirma mas também não desmente a informação.