Justiça aceita pedido de recuperação judicial da Parmalat
O juiz Alexandre Lazzarini deferiu o pedido da Parmalat Alimentos para recuperação judicial
O juiz Alexandre Lazzarini, da 1ª Vara de Falência e Recuperação Judicial, deferiu nesta quinta-feira (30-06) o pedido da Parmalat Alimentos para recuperação judicial -instrumento que substituiu a concordata com a nova Lei de Falências.
Entre os benefícios da recuperação judicial está a possibilidade da Parmalat ganhar 60 dias para apresentar um plano de viabilidade financeira para os credores. Além disso, a Parmalat ficará protegida por 180 dias de possíveis pedidos de execuções judiciais.
O juiz nomeou como administrador judicial do processo de recuperação da Parmalat o advogado Aclibes Burgarelli, que já atuava como comissário da concordata.
Em seu despacho, o juiz determinou a suspensão de todas as ações ou execuções contra a Parmalat.
A Parmalat Brasil e a controladora Parmalat Participações estavam em concordata desde 2 de julho de 2004. Com a migração da concordata para a recuperação judicial, a Parmalat tenta ganhar fôlego para chegar a um acordo com os credores e evitar a falência.
Pelo acordo da concordata, a empresa deveria pagar 40% da dívida, estimada em R$ 1,8 bilhão, até 2 de julho. Se o prazo fosse descumprido, os credores poderiam requerer a sua falência.
Segundo a Parmalat, a migração para a recuperação judicial deverá permitir a continuidade dos entendimentos com seus credores, além de preservar as relações da empresa com seus fornecedores.
Em nota oficial, a Parmalat informou que o pedido "contempla saldar mensal e progressivamente, de forma isonômica, seus passivos financeiros, até a aprovação de um plano de recuperação pelo conjunto dos credores".
Dívida
O montante da dívida da Parmalat ainda é motivo de divergência entre a empresa e seus credores. A empresa reconhece uma dívida de R$ 2,2 bilhões com as instituições financeiras --sendo R$ 1,5 bilhão da controladora e R$ 700 milhões da empresa operacional (Parmalat Alimentos). Já com os fornecedores a dívida chegaria a R$ 150 milhões.
Mas os credores dizem que o montante foi subestimado. Somente um dos credores financeiros tenta habilitar créditos de R$ 3 bilhões no processo de concordata.