A pedido dos credores, juízo determina entrega de documentos em 5 dias, sob pena de a empresa ter atual direção afastada
A Destilaria de Álcool Libra, que está em recuperação judicial desde o final de maio, corre o risco de ter sua diretoria afastada do comando da empresa, caso não cumpra decisão da juíza da 1ª Vara de São José do Rio Claro, Melissa de Lima Araújo, que determinou na última quinta-feira que a empresa apresente documentos solicitados pelo administrador judicial, responsável em fiscalizar as atividades e operações da empresa, que não estão sendo disponibilizados para os credores.
O administrador judicial Sérgio Dressler Buss, designado pela Justiça, é o responsável em intermediar os interesses entre os credores e a empresa em recuperação judicial. Quando os controladores não fornecem todas as informações sobre a atividade e as finanças da empresa ao administrador judicial, ele comunica ao juiz que determinou a abertura do processo de recuperação judicial. Na última semana, Sérgio Dressler Buss fez esta solicitação à juíza de São José do Rio Claro, que deu o prazo de cinco dias para que os documentos sejam encaminhados ao cartório, sob pena de afastamento da atual direção da empresa.
A Libra, que é controlada pela família Ticianeli, tem um passivo de aproximadamente R$ 300 milhões com 600 credores, entre bancos, factorings e fornecedores. Com sede em São José do Rio Claro (315 quilômetros ao norte de Cuiabá), a empresa é a terceira maior destilaria de álcool de Mato Grosso e emprega diretamente cerca de 1,5 mil funcionários no auge da safra de cana-de-açúcar.
Com uma colheita média anual de 16,5 mil hectares de cana-de-açúcar garante a produção cerca de 85 milhões de litros de etanol por safra. A companhia tem como diretor-executivo o presidente do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool), Piero Parini.
MOAGEM – Um dia antes do juízo de São José do Rio Claro conceder prazo para apresentação dos documentos solicitados pelos credores, a atual direção da usina comemorava outra decisão da Justiça. Na quarta-feira (7), o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) autorizou, a Libra a comercializar sua produção, substituindo a garantia de cana-de-açúcar (matéria-prima essencial a sua produção de álcool) por terras da empresa (bens imóveis).
CRISE - Em comunicado ao mercado, para explicar o pedido de recuperação judicial, a empresa informou ter havido uma “expressiva elevação” em seu endividamento no curto e médio prazos, incompatível com a capacidade de geração de caixa do grupo. Também aponta uma “elevação brutal” nos custos de produção no período de 2000 a 2008 e o descolamento do preço de vendas, agravado nas últimas três safras.
Nos últimos meses, cinco empresas do setor sucoalcooleiro de Mato Grosso entraram com processo de recuperação judicial, causando apreensão para os fornecedores do setor e financeiras, que temem que o artifício jurídico esteja sendo usado como forma de legitimar o não pagamento de dívidas. A lei que cria a figura da recuperação judicial, fica claro que a intenção é criar a transparência necessária para que os credores possam conhecer a realidade de funcionamento da empresa e verificar a sua viabilidade econômica para aprovar o plano de recuperação.
BALANÇO – Conforme dados da Seresa Experian, o número de recuperações judiciais deferidas de janeiro a setembro em Mato Grosso, apresenta incremento de mais de 340%, na comparação com igual período do ano passado. No acumulado de 2009 foram deferidos 59 pedidos de recuperação judicial, contra apenas 17 nos nove primeiros meses de 2008. O agronegócio estadual tem sido o maior alvo das ações. Além da Libra, por exemplo, estão sob efeito de recuperação frigoríficos e tradings.