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Manutenção da Selic em 10,5% eleva custos e impacta o agro

Copom decidiu manter a taxa Selic em 10,5% ao ano


Foto: Pixabay

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 10,5% ao ano, reforçando um cenário econômico desafiador para o Brasil, especialmente no que se refere ao mercado de crédito. A decisão, embora antecipada pelo mercado, traz implicações consideráveis para diversos setores, com destaque para serviços, varejo e agropecuária.

Utcho Levorin, sócio da Multiplica Crédito e Investimentos, destacou que a combinação da estagnação econômica com a manutenção de juros elevados aumenta a pressão sobre os tomadores de crédito. "Os custos de financiamento continuam altos, tornando o acesso ao crédito mais difícil para empresas e consumidores, o que tende a elevar os índices de inadimplência", afirmou Levorin.

Setores de serviços e varejo sob pressão

Os setores de serviços e varejo são particularmente vulneráveis neste contexto. Além de já estarem enfrentando um desempenho econômico fraco, agora lidam com custos elevados de crédito. "A manutenção da Selic em 10,5% eleva o custo do crédito, dificultando a operação e a expansão das empresas desses setores", explicou Levorin.

Agropecuária enfrenta novos desafios

O setor agropecuário, que até recentemente apresentava bom desempenho, agora enfrenta desafios adicionais devido às quebras de safra. "Recuperações judiciais, antes raras neste setor, estão se tornando mais frequentes", observou Levorin, destacando a crescente preocupação com a sustentabilidade financeira no segmento.

Inadimplência em alta

A alta da inadimplência é uma das principais preocupações decorrentes da manutenção da Selic elevada. "Com a economia estagnada e os juros altos, a capacidade de pagamento dos devedores é comprometida, aumentando o risco de inadimplência. Isso repercute no mercado de crédito, tornando bancos e instituições financeiras mais cautelosos na concessão de novos empréstimos", alertou Levorin.

Setor financeiro adota postura conservadora

O setor financeiro adota uma postura mais conservadora em resposta ao cenário atual. "A manutenção da Selic reflete a cautela do Banco Central diante dos riscos inflacionários e das incertezas econômicas. Contudo, isso implica em custos mais elevados de captação e uma maior aversão ao risco", comentou Levorin. Ele ressaltou a necessidade de um controle fiscal rigoroso como condição essencial para a melhoria do ambiente econômico e a redução sustentável da taxa de juros.

Perspectivas futuras para o mercado de crédito

Olhando para o futuro, Levorin sugere que o mercado de crédito deve se preparar para um período prolongado de desafios. "A menos que haja uma significativa melhora no controle fiscal e uma redução consistente na inflação, a taxa Selic deverá permanecer elevada, mantendo o mercado de crédito restrito. Empresas e consumidores precisarão ajustar suas estratégias para navegar neste ambiente econômico adverso", concluiu o especialista.

 

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