Maracujá gera renda e segurança para pequenos agricultores do PR

Agronegócio

Maracujá gera renda e segurança para pequenos agricultores do PR

Produção é entregue para a Associação dos Produtores de Corumbataí do Sul (Aprocor)
Por: -Antonio Marcio
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Cinco mil metros quadrados. Esse é o tamanho de um terreno em uma Vila Rural. E é nesse espaço que agricultores familiares de Barbosa Ferraz estão conseguindo tirar seus sustentos, com o cultivo de maracujá. Toda a produção é entregue para a Associação dos Produtores de Corumbataí do Sul (Aprocor). A produção deste ano já foi fechada, e agora os agricultores já estão prontos para iniciar uma nova safra que começa ainda neste mês.

Claudemir de Almeida do Nascimento, 40 anos, é um desses produtores. Ele mora na Vila Rural há dez anos e há quatro descobriu o maracujá como fonte de renda. No ano passado ele produziu maracujá suficiente para uma renda anual de R$ 20 mil, o que representa uma média de R$ 1,6 mil por mês. Já nesta safra que se encerrou em setembro, o ganho foi de um pouco menor e girou em torno de R$ 13,5 mil, que dá uma média de pouco mais de R$ 1 mil por mês. Pode até parecer pouco para alguns, mas é o bastante para quem até então ganhava R$ 250 por mês para sustentar a família. “Eu trabalhava para fora, pois não tinha encontrado nenhuma cultura que pudesse dar lucro na Vila Rural. Tudo mudou quando comecei a plantar o maracujá”, salienta.

Com o dinheiro da produção ele já comprou um outro lote na mesma Vila, e arrendou um terceiro terreno. São aproximadamente 800 pés da fruta cultivados. O trabalho é todo realizado por ele e pela esposa. “A vantagem de produzir maracujá é muito grande. Antes eu trabalhava um mês para pagar a compra no mercado do mês anterior. Hoje não compro nada fiado. Na minha casa não tinha televisão, sofá e a geladeira era bem velha. Hoje tem tudo novo”, pondera.

Na Vila Rural existem 46 lotes, e em 16 deles são cultivados maracujá. Toda a produção é levada pelo grupo até Corumbataí do Sul, que fica a aproximadamente 15 quilômetros de Barbosa Ferraz. A moradora Elizabeth Rodrigues de Souza Lourenço, 46 anos, é outra que planta maracujá. Casada, mãe de duas filhas, ela revela que o trabalho é feito por ela mesmo, pois o marido trabalha para fora. “Dá trabalho porque durante a safra não pode descuidar, porém não é nada pesado. O mais complicado é carregar as frutas no caminhão”, salienta.

O cultivo de maracujá não é o único trabalho dela, que também faz crochê e produz bolachas para a merenda escolar. “Tudo isso para garantir uma renda melhor para a família”, ressalta. Devido ao trabalho com as outras atividades, a renda com o maracujá alcançou cerca de R$ 6 mil neste ano. “É um bom dinheiro, com certeza. O maracujá é uma alternativa boa para quem quer produzir. O terreno é pequeno e outras culturas como milho, soja ou feijão não rendem quase nada. O maracujá é sim a melhor opção”, comenta. Ela diz ainda que está animada, e que enquanto tiver para quem vender vai continuar produzindo maracujá. “A vantagem do maracujá é que tem segurança. Se produzir tem para quem vender. É uma venda sem risco de perder dinheiro”, finaliza.

Corumbataí do Sul é o maior produtor de maracujá do PR

Corumbataí do Sul é o maior produtor de maracujá do Paraná. A fruta surgiu como alternativa de renda no município há cerca de dez anos, depois que chuvas de granizo, seguido por fortes geadas, prejudicaram o cultivo de café, até então fonte de renda a inúmeras famílias. Naquele momento, a produção da fruta foi considerada a alternativa mais vantajosa.

De acordo com o secretário da Aprocor, Carlos Alves de Souza, os cultivos iniciaram com um grupo de seis produtores, e o maracujá se adaptou bem as condições climáticas do município contribuindo para uma evolução do número de produtores, que passou de seis para cerca de 400 distribuídos por seis municípios vizinhos. Esses produtores junto somaram uma produção de 40 mil caixas in natura, e outras 800 toneladas para a indústria.

Ele revela que a participação de produtores em Barbosa Ferraz, Godoy Moreira, Nova Tebas, Iretama, Lidianópolis e Peabiru, contribuíram de forma significativa para uma melhor comercialização. “O aumento no volume de produção e a força do associativismo local, contribuíram também para a melhoria dos preços”, frisa.

Em função da grande quantidade comercializada no início do ano passado foi fundada a Cooperativa Agroindustrial de Corumbataí do Sul e Região (Coaprocor). Souza conta que a cooperativa melhorou os processos de compra e venda e um melhor atendimento ao produtor. “Toda esta produção influenciou a industrialização de maracujá no município, pois existe uma agroindústria de polpas sendo construída com o apoio do governo municipal . Existem vários projetos em andamento, como o aproveitamento de sementes de maracujá, que só no ano passado foram mais de 50 mil quilos. Os associados da agricultura familiar e suas necessidades de diversificação e melhoria de renda da propriedade rural, formam pontos importantes de formação desse projeto”, salienta e cita que o trabalho é realizado por meio de parcerias com o Instituto Emater, prefeitura de Corumbataí do Sul, Fecilcam, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Projeto Universidade sem Fronteiras, Banco do Brasil e Banco do Sicredi.

Um dos pioneiros

O presidente da Cooperativa Agroindustrial de Corumbataí do Sul e Região (Coaprocor), Gerson Rodrigues da Cruz, faz parte do grupo de agricultores que iniciou o cultivo de maracujá. Ele conta que os terrenos no município são bem acidentados, o que inviabiliza o cultivo de algumas culturas como soja e milho. “Além do mais, essas culturas são viáveis para quem tem grandes áreas. Agricultores pequenos têm que procurar diversificar, e o maracujá é uma boa opção”, salienta.

Ele tem aproximadamente 1.100 pés da fruta plantados em sua propriedade. “Nessa safra a produção foi muito boa, e a expectativa para a próxima é ainda melhor”, pondera e acrescenta que a colheita começa já nos próximos dias.
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