Medidas anti-stress para controlar a pérola-da-terra na videira
A adoção de medidas anti-estress no manejo dos vinhedos para fazer frente a uma das principais ameaças ao cultivo
A adoção de medidas anti-estressantes no manejo dos vinhedos, que podem ser traduzidas por uma boa fertilização, a aplicação de tratos fitossanitários adequados, a definição de patamares corretos de produtividade por planta, evitando a sobrecarga, e o uso de produtos de controle no momento certo, considerando o estágio de evolução da praga em questão.
Em síntese, são estas as recomendações de um dos principais especialistas internacionais no assunto, o sul-africano Christian Andreas de Klerk, entomologista e pesquisador do Instituto de Enologia e Viticultura de Stellenbosch, para fazer frente a uma das principais ameaças ao cultivo de vinhas no mundo todo, a pérola-da-terra – um inseto que ataca as raízes da videira e de fruteiras, diminuindo a produção ou mesmo causando a morte das plantas. As indicações foram repassadas sexta-feira (03-02) passada, quando de Klerk palestrou, a convite da Embrapa Uva e Vinho de Bento Gonçalves (RS), sobre “A prática do controle da pérola-da-terra na África do Sul”, no auditório da instituição, para um público de cerca de 100 pessoas, em conferência com entrada franca.
Em sua passagem pela principal zona vitivinícola do país, o pesquisador sul-africano, enquanto consultor particular, trabalhou com pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho na identificação da pérola-da-terra na região. A pesquisa constatou que na Serra há quatro espécies da praga, das quais uma efetivamente prejudica o vinhedo, a Eurhizococcus brasiliensis.
“A diferença é que, enquanto na África do Sul podem utilizar apenas tratos culturais, no Brasil contamos com dois tipos de produtos, do gênero dos neonicotinóides – ainda bastante caros, porque são sintéticos –, para o controle da pérola”, observa o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho Saulo de Jesus Soria. Segundo Soria, o fato é que o Brasil conseguiu, por intermédio de estudos feitos na própria Embrapa Uva e Vinho, a partir de 2000, encontrar soluções para a situação provocada pela retirada do mercado, no mundo todo, em 1998, dos produtos que até então se usava para o combate à praga – da família dos clorados. “Na África do Sul, estamos ainda por recomeçar”, lamenta de Klerk, assinalando que o estabelecimento de meios para controlar a pérola-da-terra está “muito vinculado à obtenção de fundos para levar adiante atividades de pesquisa e extensão, o que, infelizmente, é um problema mundial”. As informações são da assessoria de imprensa da Embrapa Uva e Vinho.