Mercado avalia impactos da expansão do etanol no Brasil
No horizonte mais distante, existem fatores que podem impedir a repetição do quadro
No horizonte mais distante, existem fatores que podem impedir a repetição desse quadro - Foto: Pixabay
A rápida expansão da capacidade de produção de etanol no Brasil vem alterando o equilíbrio do mercado e levantando preocupações sobre uma possível superoferta estrutural no curto e médio prazo. Análise do Rabobank indica que, apesar da continuidade dos investimentos em capacidade adicional, o ritmo de crescimento projetado pode superar a evolução da demanda nos próximos anos.
Pelo lado do consumo, há diferentes vetores que podem ampliar a absorção do biocombustível, como o aumento do percentual obrigatório de mistura de etanol na gasolina, eventuais mudanças no consumo decorrentes de uma reforma tributária sobre combustíveis e o interesse crescente, no Brasil e no exterior, por combustíveis sustentáveis voltados à aviação e ao transporte marítimo. Ainda assim, essas alternativas são vistas majoritariamente como movimentos de mais longo prazo, concentrados entre 2029 e 2030, o que dificulta uma compensação imediata para a rápida expansão da capacidade de etanol de milho prevista.
Esse risco de desequilíbrio no mercado de etanol acende um sinal de alerta para a indústria do açúcar, tanto no Brasil quanto no cenário global. Uma eventual superoferta tende a pressionar os preços do etanol, incentivando as usinas brasileiras a direcionarem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, conforme a arbitragem de margens entre os dois produtos. Esse movimento poderia levar os preços de açúcar e etanol à paridade, influenciando o comportamento do mercado internacional. Para 2026, a expectativa de uma safra brasileira de cana-de-açúcar robusta em 2026/27 já pode ter incorporado esse cenário aos preços.
No horizonte mais distante, existem fatores que podem impedir a repetição desse quadro, mesmo com o crescimento da oferta de etanol no país. Eventos climáticos adversos podem limitar a produção global de açúcar, enquanto uma alta nos preços do petróleo e da gasolina pode sustentar as cotações do etanol. Ainda assim, o tema segue no radar do setor, já que mudanças relevantes no mercado brasileiro de etanol tendem a gerar reflexos para os agentes da cadeia açucareira em todo o mundo.