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Mercado da soja é desfavorável às vésperas da colheita


Alardeado esta semana pelo jornal britânico Financial Times, o Brasil deve enfrentar este ano prejuízos de mais de R$ 1,3 bilhão nas colheitas de soja devido aos aumentos nos custos de produção, queda nos preços e excesso de produção no País. Em Mato Grosso do Sul, o cenário não se mostra muito diferente. Mesmo sem avaliar prejuízos, o engenheiro agrônomo e assessor técnico em Agricultura da Famasul Anderson Cesconetto admite que o cenário é turbulento, já que o valor pago ao produtor hoje não cobre os custos de produção do grão.

Segundo Cesconetto, o produtor enfrentou aumento de 34% nos custos e redução de 33% no valor da soja. “Para o produtor de soja e dos demais grãos a atividade está ruim este ano, passamos por uma situação de excesso na produção mundial e aumento na cotação, mas ainda é cedo para traçar uma previsão”, revela.

Ele explica que para o produtor que espera uma produção de 50 sacas por hectare a cotação atual não vai pagar os custos. Para o sojicultor alcançar o ponto de equilíbrio, teria que produzir no mínimo 56 sacas por hectare.

Para o diretor da BBMF (Bolsa Brasileira de Mercadorias), Carlos Duppas, além do excesso de produção nos Estados Unidos, Argentina e Brasil, que causa queda no preço, os sojicultores do Estado poderão enfrentar problemas graves de estocagem do grão este ano.

Segundo a Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), o Estado produzirá este ano 5,3 milhões de toneladas de soja, foram dois milhões de hectares de área plantada. Duppas lembra que o Estado tem capacidade para estocar apenas 5,7 milhões e já está estocado 1 milhão de toneladas de milho e soja.

“O sojicultor está enfrentando problemas de ferrugem, estocagem, custo dos insumos, queda no dólar e excesso de produção mundial”, analisa Duppas. Ele afirma que os produtores precisam estar atentos a essa problemática, apesar de ainda não ter como mensurar os prejuízos já que cada produtor tem seu custo. “Mas esse não é um ano bom para a soja”, ressalta.

O preço da soja hoje está 50% mais baixo.

Conforme Duppas, o preço da saca já chegou a R$ 52 e hoje caiu para R$ 25. “A soja é um produto cíclico, os produtores vão passar por um processo complicado chegando até a pedir negociação de dívidas em todo Brasil”, revela, lembrando que o panorama futuro vai depender do que vai acontecer com a safra nos Estados Unidos e que os produtores do Estado precisarão vender rápido o grão ou estocar em armazéns.

Conforme o diretor-executivo da Granos, Carlos Dávalos, já existem comentários pelo Brasil que os produtores devem procurar socorro federal para reivindicar cobertura para cobrir os custos de produção. “Ainda é cedo para falar em prejuízo, mas as vendas estão poucas e o produtor está com as contas apertadas”, conta. Segundo Dávalos, o Brasil comercializou apenas 20% da safra 2004/2005 e associado a este nível, Mato Groso do Sul também comercializou pouco, talvez o menor índice de comercialização em dez anos. “Acredito que seja uma situação de mercado, a saída é esperar uma oportunidade para negociar”, revela.

Ele explica que o pouco volume negociado está associado à distância das cotações do mercado internacional praticado em 2003/2004 e 2004/2005. “Tivemos safra recorde americana e da América do Sul, isso fez com que os estoques mundiais das commodities se recompusessem provocando queda nas cotações do mercado internacional”, revela lembrando que isso prejudicou o nível de preço que se pratica hoje no Brasil. “Seguindo também a tendência da alta do frete, o preço ao produtor no Mato Grosso do Sul deverá ficar baixo em abril”, explica.

A queda no preço das commodities reduziu o plantio e a safra também já provocou queda também na aquisição de máquinas agrícolas, entre elas tratores e colheitadeiras, os principais produtos do segmento em todo Brasil.

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