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Método melhora controle de verminoses em ovinos

No semiárido, a verminose é a doença que mais afeta os rebanhos


O Método Famacha é um recurso que os agricultores podem adotar para fazer o controle eficiente de um verme que se alimenta de sangue no estômago (abomasso) de ovinos e caprinos. Este verme de nome científico Haemonchus contortus causa anemia nos animais e grandes perdas econômicas aos criadores da região semiárida.

O médico veterinário Daniel Maia Nogueira, pesquisador da Embrapa Semiárido, avaliou o método durante três meses de seca em testes experimentais com 75 ovelhas mestiças de Santa Inês-Bergamácia em duas propriedades rurais no município de Dormentes, sertão de Pernambuco. No período, observou duas situações que favorecem a produtividade dos animais: por um lado, reduziu o número de animais que precisavam ser vermifugados de 70,9% para 6,7%; de outro, registrou um aumento da quantidade de animais sadios de 25% para 93,5%.

Alternativo – O emprego do Famacha é uma alternativa de controle dos vermes no rebanho. No semiárido, a verminose é a doença que mais afeta os rebanhos e reduz (ou diminui) o desempenho econômico da atividade. No sertão pernambucano, em particular, poucas medidas são adotadas para o controle efetivo desses parasitas (ou endoparasitas) .

O pesquisador Daniel explica que, de forma geral, a providência adotada pelos agricultores é a vermifugação indiscriminada de todos os animais. Isto tem um custo financeiro tão elevado, que passam a reduzir a quantidade de vezes que aplicam os medicamentos conta os vermes (anti-helmínticos) durante o ano. Como costumam fazer, as aplicações entre duas ou três vezes ao ano, não evita que os animais fiquem anêmicos e debilitados para produzir.

O Método Famacha adota prática diferente. Ele consiste em um cartão com imagens da mucosa dos olhos dos pequenos ruminantes com cinco diferentes tons de cores que variam do vermelho robusto até a palidez, representada pela cor branca. Cada uma delas informa para o agricultor o estado de saúde dos animais e aponta a necessidade ou não da aplicação de medicação. No Famacha, somente os animais com sinais de palidez ou anemia devem ser vermifugados, portanto é uma prática seletiva e deve ser realizada a cada 15 ou 21 dias no rebanho.

Sadios - No manejo sanitário do rebanho, com base nesse método, o agricultor precisa observar um a um a mucosa dos seus animais comparando com as cinco tonalidades apresentadas no cartão: vermelho robusto, vermelho rosado, rosa, rosa pálido e branco. De acordo com o Método Famacha, os ovinos e caprinos avaliados com as cores vermelhas são considerados em boas condições de saúde e não precisam ser vermifugados.

Nos testes conduzidos pelo médico veterinário Daniel Maia Nogueira, na propriedade Baixa da Pedra Branca, a porcentagem de animais sadios aumentou no decorrer da aplicação desse manejo com o cartão Famacha. As somas das mucosas de coloração vermelho-robusto e vermelho-rosado passaram de 29,3%, no início, para 93,5%, no final da pesquisa.

Ao mesmo tempo, Daniel Maia revela ter verificado que o número de animais vermifugados diminuiu com o passar do tempo. De 70,97% dos animais que recebiam medicamentos contra os vermes, a quantidade foi sendo reduzida até chegar a menos de 10%. Em outra propriedade, do Silêncio, os resultados foram semelhantes: a redução de 57,89% para 6,70% no número de aplicações.

Participação – O pesquisador da Embrapa esclarece que com o Método Famacha gera informações seguras sobre o grau de anemia dos animais. Isso já é muito eficiente. Contudo, também recomenda a realização de um teste auxiliar chamado de Coprocultura, que deve ser feito em laboratório especializado. Desta forma, se poderá ter uma identificação correta de qual a tipo de verme que está atacando o estômago ou intestino dos animais. Assim, se for diferente do Haemonchus contortus, o uso do Método Famacha terá pouco efeito.

Este estudo foi realizado em conjunto com dois agricultores: Luis Valdo Leonardo de Macedo, da propriedade Baixa da Pedra Branca, e José Leonardo de Macedo, da propriedade do Silêncio. Antes do seu início, pesquisadores e agricultores debateram e identificaram problemas no controle sanitário dos rebanhos, como o uso indiscriminado de anti-helmínticos e, inclusive, a troca de produto a cada nova aplicação.

Constataram também aspectos positivos no manejo dos animais, a exemplo do rodízio de pastagens, o que evita que os vermes de completem o ciclo biológico e reduz a infecção dos animais. Além da preocupação com a limpeza do umbigo das crias após o nascimento. Após as reuniões que realizaram para identificar problemas e esclarecimentos acerca de alternativas de controle de vermes, foi escolhido o Método Famacha por ser de fácil aplicação e baixo custo, ainda que intensivo na mão de obra familiar.

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