O milho começou novembro em queda na Bolsa de Chicago, mesmo após os Estados Unidos registrarem exportações recordes para um mês de setembro. Na quinta-feira (5), o cereal fechou cotado a US$ 4,40 por bushel, abaixo dos US$ 4,51 da semana anterior. A redução do consumo industrial e a chegada da nova produção americana ao mercado estão entre os fatores acompanhados pelos operadores.
Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), a média das cotações em outubro ficou em US$ 4,75 por bushel, uma queda de 9% em relação a setembro. Apesar da desvalorização, o preço permaneceu acima da média de US$ 4,22 registrada em outubro de 2025.
A colheita americana segue avançando, embora em ritmo um pouco abaixo do habitual. Até 1º de novembro, os produtores haviam colhido 74% da área cultivada com milho, enquanto a média histórica para o período é de 77%. A entrada do cereal recém-colhido amplia a oferta disponível, ao mesmo tempo em que o mercado acompanha o comportamento da demanda.
No comércio internacional, os Estados Unidos tiveram um setembro de resultados expressivos. As exportações chegaram a 7,08 milhões de toneladas, o maior volume já registrado para o mês. Apesar do recorde, os embarques ficaram 4,6% abaixo dos realizados em agosto.
Na semana encerrada em 29 de outubro, as vendas externas americanas de milho para a temporada 2026/27 somaram 1,3 milhão de toneladas. O volume ficou 32% acima da média das quatro semanas anteriores, indicando maior movimentação nas negociações internacionais.
Os embarques efetivos, porém, apresentaram comportamento diferente. Foram enviadas ao exterior 552,9 mil toneladas na semana, quantidade 57% inferior à média das quatro semanas anteriores. A diferença entre vendas e embarques mostra que o ritmo dos contratos comerciais nem sempre acompanha a velocidade de entrega do produto.
Outro indicador importante veio da indústria de etanol. Em setembro, os Estados Unidos utilizaram 11,1 milhões de toneladas de milho na fabricação do biocombustível, uma redução de 9% em relação a agosto. Na comparação com setembro do ano passado, entretanto, houve crescimento de 1%.
Considerando todas as finalidades industriais, o consumo de milho no país caiu 8% em setembro frente ao mês anterior. A produção de álcool respondeu por 92,7% de todo o cereal processado, demonstrando a importância do setor de etanol para a demanda americana.
O mercado internacional chega, assim, a novembro com sinais diferentes. De um lado, os Estados Unidos mantêm volumes expressivos de exportação. De outro, a redução do processamento industrial e a entrada da colheita contribuem para pressionar as cotações. A evolução desses indicadores será importante para entender o comportamento dos preços nos próximos meses.