Milho transgênico passa por diversas avaliações antes do consumo
As cultivares de milho OGM são submetidas a testes de toxicidade, potencial alergênico e composição
A análise de segurança do milho transgênico não é diferente de outros produtos derivados da aplicação da biotecnologia. Cada um deles é extensivamente avaliado no que diz respeito à segurança alimentar, com base em protocolos reconhecidos internacionalmente por instituições de alta credibilidade, a exemplo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Food and Agriculture Organization (FAO). Estas informações fazem parte do Guia do Milho do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), desenvolvido pelo Conselho em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias do Milho (Abimilho) e o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).
Individualmente, as cultivares de milho geneticamente modificados são submetidas a testes que vão considerar as características como toxicidade, potencial alergênico e composição. As avaliações são realizadas em diferentes estágios, caso a caso, desde o início do desenvolvimento da planta em laboratório, seguido pela fase de experimentos em campo até a conclusão dos trabalhos.
“Isto significa que o produto só é colocado no mercado se for tão seguro quanto sua variedade convencional”, de acordo com o guia. Vale ressaltar que o milho GM resistente a insetos é considerado seguro para o consumo humano e animal, pois é altamente específico para o inseto-alvo. Da mesma forma ocorre com o milho GM tolerante a herbicidas, cujo gene inserido também é específico para plantas e, portanto, não provoca nenhum efeito adverso no organismo animal ou humano.
Características do milho Bt:
O milho Bt se caracteriza pela inserção de um gene da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), o que faz a planta produzir uma proteína tóxica para determinados insetos, reduzindo os ataques em até 90% e diminuindo, assim, a probabilidade de crescimento de fungos. Pesquisas feitas no País e no exterior mostram que o milho Bt reduz a presença de micotoxinas quando comparado ao milho convencional.
As micotoxinas são substâncias resultantes do metabolismo dos fungos que crescem nos alimentos, quando em condições de umidade do produto, umidade relativa do ar e temperatura favoráveis. As mais conhecidas são as aflatoxinas, derivadas do Aspergillus – fungo que contamina o milho armazenado, muito comum no Brasil em razão do clima tropical –, e do Fusarium, que se desenvolve sobre milho, trigo e cevada, entre outras culturas.
O Fusarium produz mais de 100 micotoxinas diferentes, umas mais tóxicas que outras. De qualquer maneira, essas substâncias são danosas para o homem e para os animais, pois agem diretamente no fígado. Elas inibem a síntese de proteínas, causando queda no nível de anticorpos e enzimas e provocando lesões e hemorragias que podem levar ao câncer e à morte.
As principais condições que levam os fungos a produzir micotoxinas são a deficiência no armazenamento dos grãos (umidade e temperatura), a maior permanência das lavouras no campo e o ataque de insetos. No caso do milho, um dos cultivos mais afetados, o inseto perfura a espiga e abre caminho para que o fungo se instale e se desenvolva. Cerca de 45% do milho produzido no Brasil é contaminado por micotoxinas. As informações são do CIB.