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Moinhos são obstáculo para acordos com a Argentina

Desde o ano passado os moinhos argentinos aumentaram sua participação no mercado brasileiro de 3,5% para cerca de 10%


Cada vez mais achatados pelo aumento da concorrência com a farinha de trigo argentina e pela cobrança por melhores preços por parte dos produtores, donos de moinhos brasileiros devem deixar de lado a diplomacia adotada pelo governo de ambos os países e acionar judicialmente a indústria daquele país.

Desde o ano passado os moinhos argentinos aumentaram sua participação no mercado brasileiro de 3,5% para cerca de 10%. Além de receberem incentivos do governo argentino para a exportação do produto, a indústria vizinha atualmente adquire a matéria-prima por até US$ 140 a menos por tonelada.

Segundo o presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih, o governo já foi consultado a respeito de uma ação antidumping, mas a decisão dependerá de interesses do governo em um sentido mais amplo, que deverá considerar outros acordos comerciais. "Já estamos analisando outras ações como uma medida compensatória que é um processo mais complicado e que ainda está sendo estudado", disse Pih.

O executivo afirmou, ainda, que a indústria está sendo pressionados pelos produtores por maiores preços para o trigo. Os agricultores estariam decepcionados com a queda do preço da commodity na entrada da safra. O preço do trigo, que em abril chegou a ser negociado a US$ 800 por tonelada, hoje está em patamares próximos aos US$ 600 por tonelada.

"O trigo gaúcho poderá ficar abaixo do preço mínimo (US$ 480). É uma safra de 2 milhões de toneladas que só serve para biscoito, que tem uma demanda limitada, e será fortemente pressionado no preço, e o moinho não tem condição de pagar mais em razão da concorrência da farinha argentina", avaliou.

"O mesmo governo que estimula a produção não faz nada para barrar a concorrência do vizinho que é subsidiado", destacou.

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Argentina e a reunião entre o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, e o secretário de Indústria da Argentina, Fernando Fraguió, havia sido o prazo final que a indústria nacional havia dado ao governo para que os problemas do setor fossem resolvidos de forma diplomática.

A reunião, de fato, teve um clima cordial, alinhado ao discurso do governo brasileiro durante sua passagem pelo país. Fraguío, anunciou que a Argentina irá liberar neste semestre a exportação de mais 500 mil toneladas de trigo, além das 902 mil toneladas liberadas na última semana. O volume, no entanto, poderá ser adquirido por importadores de outros países, a que Ramalho respondeu que o País não poderia obrigar que fosse vendido apenas para o Brasil.

No entanto, em relação a redução da alíquota para exportação de farinha de trigo, que atualmente é de 18% enquanto o trigo é taxado em 28%, o governo argentino se mostrou irredutível e os moinhos argentinos já comemoram a manutenção da taxa e o respaldo de seu governo.

De acordo com o presidente da Federação Argentina da Indústria de Moagem (Faim), Alberto España, Fraguió criticou duramente a intenção da indústria brasileira em mover uma ação antidumping. Para España, a atitude da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) é apenas uma ação de marketing e que não há como provar um caso de dumping. "Não há sustentação técnica", disse o presidente da Faim.

España afirmou ainda que mesmo com o aumento da entrada da farinha argentina no País eles detém apenas 8% desse mercado. "É um absurdo nos acusarem de dumping e pedirem quemandemos apenas matéria-prima para o Brasil e não produtos elaborados", avaliou.

M. Dias Branco

O resultado semestral da M.Dias Branco no primeiro semestre de 2008, divulgado ontem pela empresa, aponta um crescimento de 74,6% no lucro líquido.

De acordo com a companhia, o comportamento do preço do trigo no período, mesmo em patamares muito elevados se comparados ao preço histórico, apresentou menor volatividade, além de sinalizar tendência de queda, o que permitiu que os resultados melhorassem rápido e substancialmente.

"O crescimento no volume de vendas e o repasse gradual, mas contínuo, do aumento dos custos com trigo e óleo para os preços de nossos produtos, somados ao persistente trabalho de redução da representatividade das despesas administrativas e comerciais, além dos efeitos positivos da aquisição da Indústria Bomgosto Ltda. (Vitarella), permitiram à companhia alcançar resultados extremamente significativos no período", avaliou a companhia na divulgação de seus resultados.

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