Mudança climática ameaça café mineiro

Agronegócio

Mudança climática ameaça café mineiro

Estudos vislumbram impactos na agricultura e na economia, além de secas e inundações
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Um cenário desolador se anuncia no planeta nos próximos 40 anos. Catástrofes naturais, intensificação de fenômenos naturais extremos e temperaturas acima das médias históricas foram algumas projeções feitas por cientistas e especialistas renomados de várias partes do mundo, na terça-feira, durante o Seminário Internacional Crise Civilizacional: Distintos Olhares, na Universidade Federal do Tocantins. Os pesquisadores foram unânimes. Sem empenho de governos e da população, o problema não poupará nada nem ninguém e afetará, principalmente, os países pobres e em desenvolvimento. O Brasil está nessa lista e, para Minas Gerais, as consequências serão drásticas – entre elas, se vislumbram impactos na agricultura e na economia, além de secas e inundações.

Estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Universidade de Campinas (Unicamp), intitulado Zoneamento Agroclimático do Brasil, usou projeções do Painel de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para traçar diversos cenários, até 2050, para as principais culturas brasileiras e o quanto elas são vulneráveis ao aumento da temperatura e da umidade. De acordo com o professor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB) Saulo Rodrigues, a pesquisa revelou a possibilidade de grandes mudanças na economia de Minas Gerais. A primeira grande conclusão é que o cultivo de café, uma das principais culturas do estado, estará comprometido.

“Elas ficarão restritas ao Sul de Minas, região que ainda estará apta ao cultivo. Por isso, é preciso diversificar as culturas agrícolas com urgência, para diminuir o impacto na economia e a vulnerabilidade dela”, disse. Outro efeito, segundo Rodrigues, é que o aquecimento pode levar à intensificação de eventos extremos, com inundações mais fortes e secas prolongadas. Ele acrescentou que o nível médio das chuvas poderá sofrer pouca ou nenhuma alteração, mas as precipitações tendem a ser mais concentradam em determinados períodos.

Além de sentir os efeitos da mudança do clima, quem vive em áreas de ocupação irregular, como favelas e à beira de cursos d’água, serão as populações mais atingidas, por causa do aumento do risco de desabamento de terra e de soterramento de casas. O professor defende que sejam feitas adequações para se evitar o pior, como o reflorestamento de encostas e de margem de rios (a redução de aporte de sedimentos no leito do rio diminui as possibilidades de inundações) e recuperação das matas ciliares.

Desertos

Ele ressaltou quem, nos últimos 30 anos, algumas partes do mundo tiveram aumento de até 2°C – no mesmo período, o da Terra foi de 0,5°C. “Estudos demonstram que, até o fim do século 21, se a diminuição das emissões dos gases do efeito estufa não for levada a sério, teremos crescimento médio de até 2 graus, o que vai aumentar o nível dos mares e causar furacões e inundações. Isso afetaria, principalmente, os países mais pobres, que são naturalmente mais quentes”, relatou.

Em Minas, esse cenário poderá provocar a aridização, que diferentemente da desertificação (influência do clima e do mau uso da terra), tem como características menos chuvas e temperaturas mais elevadas. “A solução para evitar uma catástrofe depende de como a sociedade vai se posicionar diante dos desafios que estão aparecendo, da postura dos governos e de um novo modelo de desenvolvimento pensado pelos economistas.”

As informações partem do Estado de Minas (Junia Oliveira).


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