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Nanci Walter defende debate técnico sobre receituário agronômico

Evento marcou o início de um novo canal de diálogo


Foto: Aline Merladete

Encontro em Porto Alegre reuniu Ministério Público, Confea, agrônomos e órgãos públicos para discutir uso responsável de defensivos agrícolas, fiscalização e os desafios do agro gaúcho.Reportagem

O receituário agronômico, um documento fundamental para a prescrição de defensivos agrícolas, voltou a ser tema central no Rio Grande do Sul.  O encontro “Receituário Agronômico: boas práticas, segurança alimentar e responsabilidade técnica”, realizado no Plenário Farroupilha, em Porto Alegre, reuniu especialistas, representantes de instituições públicas e lideranças do setor para discutir o uso responsável desses produtos, a atuação dos profissionais da agronomia e os impactos na saúde e no meio ambiente.

A presidente do CREA-RS, engenheira ambiental Nanci Walter, destacou que o evento marcou o início de um novo canal de diálogo entre o Conselho, órgãos de fiscalização e profissionais do setor. A presença conjunta do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual amplia as possibilidades de construir entendimentos técnicos em uma área historicamente marcada por divergências.

“Hoje criamos um espaço para dialogar, para ouvir e ser ouvido”, afirmou Nanci. Ela enfatizou que o principal ganho do encontro foi reunir diferentes visões em torno de um tema sensível e estratégico para o agro, sempre respeitando a qualificação técnica e institucional.

Responsabilidade técnica ganha força no debate

O receituário agronômico exige não apenas conhecimento agronômico, mas também segurança jurídica. Nanci Walter ressaltou que o debate precisa avançar para tornar o exercício da profissão mais seguro. Muitas vezes, profissionais se expõem ao assumir atividades sem respaldo técnico ou legal, o que pode resultar em problemas durante fiscalizações.

“Temos muito o que melhorar. O diálogo precisa convergir para avanços e não apenas para divergências”, afirmou. A presidente reforçou a necessidade de aperfeiçoar o receituário: “Precisamos melhorar essa ferramenta que orienta a produção de forma correta e ética”.

Aproximação entre órgãos e profissionais é vista como necessária

Nanci observou que o Rio Grande do Sul ainda busca uma aproximação mais consistente entre os profissionais da agronomia e os órgãos de controle, algo que já ocorre de forma mais estruturada em estados como o Paraná. Essa comparação indica que o Estado gaúcho ainda tem espaço para avançar na construção de um ambiente institucional mais cooperativo.

O encontro cumpriu um papel importante ao reunir, “em volta de uma grande mesa”, promotores, procuradores, engenheiros agrônomos, técnicos de órgãos públicos e representantes de entidades do setor. A proposta foi tratar as divergências de maneira técnica, com escuta e respeito.

Clima, seca e enchentes ampliam pressão sobre o agro gaúcho

Além da discussão sobre agroquímicos, Nanci chamou a atenção para a realidade climática do Rio Grande do Sul. As estiagens e os impactos das enchentes tornam o cenário gaúcho único. Esse contexto afeta diretamente a capacidade de investimento do produtor e pressiona a adoção de tecnologias inovadoras.

“O problema não é entre a parte urbana e a parte rural”, enfatizou. Ela defendeu que, devido às perdas acumuladas e à vulnerabilidade climática, é necessário um olhar diferenciado para a agricultura gaúcha.

Segurança alimentar e fiscalização entram no radar

Os organizadores esperam que o encontro contribua para aprimorar a qualificação profissional, fortalecer a fiscalização e promover práticas mais seguras no campo, impactando diretamente a segurança alimentar e a sustentabilidade da produção.

Nanci também ressaltou a dimensão ética do tema, defendendo o aperfeiçoamento do receituário agronômico.“Quem é fiscalizado está agindo de forma correta”, declarou, resumindo uma das mensagens centrais do evento. A fiscalização deve ser vista como um instrumento de organização, rastreabilidade e confiança na atividade profissional.

Novo fórum pode ocorrer no segundo semestre

Com a repercussão positiva do encontro, a presidente do CREA-RS anunciou a intenção de realizar uma nova edição do debate no segundo semestre, possivelmente em parceria com o sindicato da categoria. A ideia é manter o tema em pauta e aprofundar a interlocução entre entidades, órgãos públicos e profissionais que atuam na ponta.

O consenso no Conselho é que o debate sobre receituário agronômico, responsabilidade técnica e uso responsável de defensivos agrícolas não se esgota em um único evento, mas deve continuar, especialmente em um momento em que o agro gaúcho enfrenta exigências regulatórias, pressões climáticas e a crescente necessidade de segurança técnica nas decisões tomadas dentro e fora da porteira.

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