Nova fábrica da John Deere não entra em funcionamento este ano
A idéia era iniciar a produção assim que a fábrica ficasse pronta, agora isso estará sendo avaliado durante 2007
A idéia era iniciar a produção assim que a fábrica ficasse pronta, transferindo a linha de tratores da planta de Horizontina (RS), que se dedicará apenas à produção de colheitadeiras. "Agora isso estará sendo avaliado durante 2007", revela Zago, que também admite a possibilidade de a mudança ser realizada só em 2008. "Mas vamos torcer para que o mercado se recupere", afirmou Zago.
Com o atual ritmo de vendas, a fábrica de Horizontina supre com folga as necessidades do mercado interno e as exportações. Isso na parte de tratores, porque a linha de colheitadeiras está parada, deixando 600 funcionários em férias coletivas. "A transferência desta linha e o start dela em Montenegro têm ainda um custo entre R$ 20 e R$ 30 milhões", acrescenta Zago, justificando a necessidade de aguardar sinais mais otimistas quanto a recuperação da agricultura para uma tomada de decisão da empresa, maior fabricante de máquinas agrícolas do mundo.
Mesmo sem operar a pleno, a John Deere mantém para a metade do ano que vem a previsão de produzir um lote-piloto de tratores de modelos de maior potência que não eram fabricado pela empresa no Brasil, mas passarão a ser na nova unidade. A fábrica de Montenegro, que está consumindo um investimento de US$ 80 milhões, irá praticamente dobrar a capacidade instalada da companhia no Brasil. "Podemos produzir hoje de seis a sete mil tratores/ano e vai passar algo entre 10 e 12 mil", explica Zago. Já em relação às colheitadeiras, parte que ficará em Horizontina, "produzimos de três a quatro mil/ano e vai crescer 30%". Apesar das dúvidas com a parte fabril, a empresa mantém disposição de mudar até o final do ano de Horizontina para Montenegro toda a parte administrativa.
De acordo com as projeções da John Deere, a próxima safra de verão será fundamental para a recuperação da agricultura. Enquanto isso, para atenuar a depressão interna, a empresa diz estar trabalhando para elevar as exportações com a busca de novos mercado, mesmo tendo no patamar atual do dólar uma dificuldade a mais para ser driblada. "O mercado interno é sempre nosso carro-chefe, a uma proporção de 60% e 40% (exportações), mas ano passado inverteu", diz Zago, que mesmo com o cenário sem grandes perspectivas a curto prazo mantém o otimismo. "A reação virá. A agricultura é feita de altos e baixos, de ciclos que se repetem, e a John Deere, fundada em 1837, sabe disso", conclui Zago.
Produção suspensa
Os mesmos fatores levaram a AGCO do Brasil, fabricante de produtos Massey Ferguson, a suspender a linha de montagem de colheitadeiras em Santa Rosa (RS). Válida por 90 dias, a medida foi implementada dia dois de maio, atingindo 250 funcionários. Prosseguiram o trabalho apenas as linhas de CKD´s e de peças para tratores. A decisão não atingiu a fábrica de tratores de Canoas (RS).