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Nova rotulagem influencia comportamento de 6 em cada 10 brasileiros

Pesquisa mostra mudança no consumo com nova rotulagem


Foto: Divulgação

A nova rotulagem frontal implementada pela Anvisa está promovendo uma transformação no comportamento alimentar no Brasil. De acordo com levantamento da plataforma MyTS, 58% dos consumidores brasileiros afirmam ter mudado seus hábitos de compra após o início da exigência dos alertas visuais nos rótulos nutricionais.

O modelo de rotulagem, que destaca de forma direta e visual o excesso de açúcares, gorduras saturadas e sódio, tem feito com que quase metade dos entrevistados passe a priorizar alimentos considerados mais saudáveis no ponto de venda. A chamada “lupa da Anvisa” se consolida, assim, como uma ferramenta de impacto no momento da decisão de compra.

Segundo dados divulgados pela MyTS, o novo perfil de consumo é impulsionado principalmente pelas gerações mais jovens, como Z e Alpha, que fazem uso intensivo de tecnologias e aplicativos nutricionais para escanear produtos e verificar informações antes de colocar no carrinho. “O consumidor atual quer clareza, não complexidade”, observa Valmir Rodrigues, CEO da MyTS.

Essa exigência por transparência também reflete um movimento global. Nos Estados Unidos, legislações estaduais já discutem restrições ao uso de aditivos sintéticos e alimentos ultraprocessados em ambientes públicos, especialmente em escolas. Por lá, alimentos ultraprocessados representam 62% das calorias consumidas por crianças e 53% por adultos — número que acende o alerta para tendências similares em países como o Brasil.

Com mais de 80 milhões de usuários no mundo, aplicativos como o Yuka ganham força ao oferecerem notas aos produtos e destacarem excessos nutricionais com base em dados escaneados. A facilidade de interpretação favorece mudanças de comportamento imediato, demonstrando que o visual direto da rotulagem frontal cumpre um papel decisivo na educação alimentar.

Contudo, especialistas alertam que o uso desses recursos exige moderação. A nutricionista Carolina Codicasa, da plataforma Starbem, destaca que “a alimentação não deve ser resumida a listas de proibidos e permitidos”. Segundo ela, a rotulagem frontal pode ser uma aliada se usada como orientação e não como regra rígida. A preocupação se amplia entre jovens e adolescentes, onde o excesso de vigilância pode desencadear comportamentos de ansiedade alimentar e até distúrbios.

A psicóloga Ticiana Paiva reforça esse ponto: “Essas ferramentas são positivas quando promovem autonomia, mas prejudiciais se geram culpa constante”. A profissional defende uma relação mais equilibrada com a alimentação, em que o foco seja o bem-estar, e não o cumprimento rigoroso de padrões impostos por dados descontextualizados.

Do lado da indústria, a mensagem é clara: adaptar-se à nova lógica de consumo é vital. Para Valmir Rodrigues, traduzir dados técnicos em informação acessível é hoje um diferencial competitivo. “A rastreabilidade não deve ser só um registro interno, mas uma linguagem de confiança direta com o consumidor”, afirma o CEO da MyTS.

A tendência é que a transparência se torne o novo padrão de valor para marcas do setor de alimentos e bebidas. Mais do que promessas de saúde, o consumidor exige comprovação simples, visual e objetiva — o que exige inovação não apenas na formulação, mas também na comunicação.

Ao transformar o rótulo em ferramenta de escolha consciente, a rotulagem frontal aponta um novo caminho para a relação entre consumidor, saúde e indústria. O desafio agora é equilibrar informação acessível com responsabilidade, sem perder de vista o impacto psicológico e nutricional desse novo comportamento alimentar.

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