Novo governo argentino: O que muda no Agro?

PALAVRA DO ESPECIALISTA

Novo governo argentino: O que muda no Agro?

"Ideias liberais do Brasil não batem com as populistas do novo governo argentino. O divórcio é inevitável", diz especialista
Por: -Leonardo Gottems
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Já se começa a sentir os primeiros impactos da eleição do novo presidente argentino, o peronista Alberto Fernandez, bem como sua vice-presidente, a ex-mandatária Cristina Kirchner. O Dólar disparou na véspera das eleições, chegando a valer 74 Pesos, atingiu um pico de 80 Pesos durante a segunda-feira (28.10) mas fechou em queda, valendo 71 Pesos – que se manteve na terça.

No entanto, de acordo com o analista da T&F Consultoria Agroeconômica, Luiz Pacheco, não haverá maiores consequência para o Brasil. “Não estamos atrelados a eles. No máximo, se reduzirem a produção de trigo, como na Era anterior dos Kirchner, vamos diversificar os fornecedores ou aumentar a nossa própria produção (o que seria ótimo para a expansão no Cerrado, por exemplo, que teria um trigo semelhante)”, explica ele.

Para o agronegócio argentino, por outro lado, o especialista aponta que o resultado das eleições presidenciais “vai ser péssimo, porque os esquerdistas daquele país vão direto apunhalar o coração dos agroexportadores. Dizem que ‘exportam o alimento do povo para enriquecer’, esquecendo-se que o agro traz divisas, paga impostos e gera empregos”.

“O principal problema da Argentina é justamente falta de divisas, trazidas pelo agronegócio. Foi este o motivo de todos os seus males. E o novo governo vai acentuar isto, porque tem uma visão obtusa do que fazer. Mais de 48% da população argentina depende de alguma ajuda do governo. Se continuar a combater os empresários, quem gerará os impostos para o governo distribuir benesses?”, questiona.

O analista da T&F também projeta um futuro complicado para o Mercosul. “As ideias liberais do Brasil não batem com as populistas do novo governo argentino. O divórcio é inevitável”, conclui Pacheco.

Na avaliação do professor Marcos Fava Neves, há "riscos de voltarem com força as 'retenciones' (impostos sobre exportações) e uma política mais protecionista, dificultando nossas exportações. Mas o Congresso e Senado estão bem divididos, acho que será difícil terem aventuras mais perigosas". 


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