Novo temor surge sobre a atividade mato-grossense

Agronegócio

Novo temor surge sobre a atividade mato-grossense

Pecuaristas estão reticentes quanto à possibilidade de uma concentração
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A aquisição de cinco plantas frigoríficas pelo Grupo JBS Friboi, em Mato Grosso, foi recebida com cautela pelo setor pecuário do Estado, que teme o início de um processo de concentração na cadeia da carne. Entidades que representam a pecuária no Estado avaliam a incorporação como “benéfica” do ponto de vista da retomada das plantas, mas temem a “manipulação de preços” no mercado, em detrimento de outros concorrentes e dos fornecedores (pecuaristas).

Com a expansão, o Friboi que tem quatro unidades em Mato Grosso, nas cidades de Cáceres, Barra do Garças, Pedra Preta e Araputanga, passaria a nove, ratificando a posição de maior Grupo, neste segmento, em atuação no Estado.

Paulo Resende, diretor executivo da Associação dos Proprietários Rurais de Mato Grosso (APR), diz que mesmo em um cenário de instabilidade, a aquisição é perigosa. “É muito ruim para o setor, pois concentra [a atividade de abate] nas mãos de poucos, facilitando o processo de oligopolização. O ideal seria que tivéssemos várias unidades controladas por vários donos. Com a concentração, perdemos a opção de venda para um número maior de empresas”, avalia.

As plantas adquiridas pelo JBS estão localizadas nas cidades de Cuiabá, Quatro Marcos, Juara, Alta Floresta e Colíder. De acordo com comunicado, a “reabertura dessas unidades reflete o compromisso da JBS com a cadeira pecuária brasileira, buscando angariar, através da compra de bovinos, a continuidade dos investimentos do setor”.

Mas, os pecuaristas vêem a expansão do Grupo sob outra ótica. Segundo Paulo Resende, as aquisições põem o setor pecuário nas mãos de “três ou quatro” que são donos de várias plantas frigoríficos. “Bom é quando há pulverização das plantas, com vários frigoríficos, mesmo que sejam de menor porte”.

Para ele, o importante no momento não é só avaliar se a aquisição resolve o problema da falta de frigoríficos para abater bois. “Temos de analisar os reflexos da medida para o futuro, se tivermos um oligopólio. Neste caso, seria mais vantajoso hoje para os pecuaristas esperar a chegada de outros grupos que ainda não estão no mercado”.

O coordenador de Pecuária da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Luís Carlos Meister, também vê risco de concentração. “À primeira vista, a aquisição das plantas é positiva. Afinal, cinco frigoríficos que estavam parados terão suas atividades retomadas. Todos ganham com isso. Por outro lado, a medida sinaliza a concentração de indústrias nas mãos de poucos grupos, em Mato Grosso, e isso não é bom para ninguém”.

Meister espera que as “leis de mercado sejam respeitadas para que esse grupo venha interagir com a cadeia pecuária no sentido de manter a economia de Mato Grosso no mesmo ritmo de crescimento e pujança”. Ele também espera que as plantas do JBS negociem o mais rápido possível com as dezenas de credores do Frigorífico Quatro Marcos no sentido de que os produtores possam se viabilizar financeiramente. “A nossa expectativa é de que as regras do jogo sejam mantidas para que haja harmonia entre as cadeias pecuária e frigorífica”, afirmou Meister.

José João Bernardes, da Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso (ACN/MT), lembra que “toda concentração gera prejuízos aos concorrentes e ao mercado”. De acordo com ele, a aquisição pode ser avaliada sob dois aspectos: “O primeiro é a possibilidade de aumentarmos o volume de abates com a retomada das plantas paralisadas. O segundo é o risco de concentração da atividade nas mãos de poucos grupos que poderão dominar o mercado e abrir um processo de oligopólio”. Bernardes vê as aquisições com “cautela” e, por isso, prefere aguardar os desdobramentos da medida.

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