Os contratos internacionais de álcool começam a ser negociados entre abril e maio deste ano na New York Board of Trade (Nybot), bolsa que negocia as chamadas "soft commodities" (açúcar, algodão, café, cacau e suco de laranja), de acordo com uma fonte de mercado que participa da assessoria técnica para as discussões do álcool na Nybot. O formato do contrato já está quase fechado. O produto será negociado em dólares por galão (cada galão tem 3,7 litros). O padrão para a entrega será o de álcool carburante, afirma a fonte.
Conforme antecipou o Valor, a Nybot criou, no ano passado, um grupo de trabalho para estudar os contratos de álcool. A União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica) foi convidada, em outubro de 2003, para participar das negociações.
Para as usinas do Centro-Sul, os contratos de álcool em Nova York darão maior credibilidade aos negócios no mercado internacional. "Muitos dos players internacionais se interessam pelo álcool brasileiro, mas ainda ficam com pé atrás em relação à garantia de entrega do produto", afirma o empresário Luiz Guilherme Zancaner, presidente do grupo paulista Unialco.
Os contratos de álcool já são negociados desde março de 2000 na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros), e são o terceiro maior em volume agrícola. Em 2003, movimentou 49,1 mil operações, o equivalente a 1,5 bilhão de litros. Esses volumes de contratos são considerados pequenos se comparados aos contratos de Nova York, e não têm a participação de negociadores internacionais. As operações com açúcar na Nybot movimentaram 7,14 milhões de contratos (futuros e opções) em 2003.
Assim como ocorre com outras commodities agrícolas na Nybot, os contratos internacionais de álcool devem atrair o interesse de fundos de investimentos e especuladores, o que dará a esperada liquidez ao produto. Hoje, os principais players desse mercado são Brasil, maior produtor mundial, e EUA.