O problema do biodiesel que o Brent não resolve
Já as unidades que dependem do mercado spot enfrentam uma situação mais delicada
Já as unidades que dependem do mercado spot enfrentam uma situação mais delicada - Foto: Divulgação
A volatilidade recente no mercado internacional de petróleo reacendeu discussões sobre segurança energética e competitividade entre combustíveis fósseis e renováveis. Segundo análise de Alê Delara, professor especialista em commodities e geopolítica, tensões no Estreito de Ormuz e debates no G7 sobre o uso de reservas estratégicas voltaram a colocar o Brent no centro das atenções globais.
Em teoria, um cenário de risco geopolítico e possível restrição de oferta deveria ampliar a competitividade dos combustíveis renováveis. No entanto, essa lógica ainda não aparece de forma clara na realidade das usinas brasileiras de biodiesel.
Enquanto o mercado internacional reage à incerteza e incorpora prêmios de risco ao petróleo, o setor doméstico enfrenta desafios mais concretos. Margens comprimidas e liquidez reduzida nas negociações têm pressionado a indústria. Nesse ambiente, a viabilidade operacional das usinas depende menos do comportamento do Brent e mais da estrutura de suprimento disponível para cada operação.
Usinas verticalizadas, integradas ao esmagamento de soja ou com originação própria de gordura animal, conseguem algum nível de proteção. Essa estrutura reduz a exposição às oscilações do mercado de matérias-primas e permite preservar resultados mesmo em momentos de maior pressão.
Já as unidades que dependem do mercado spot enfrentam uma situação mais delicada. Com matéria-prima adquirida a preços de mercado e taxas oferecidas pelas distribuidoras em níveis negativos, diversas operações acabam ocorrendo próximas, ou até abaixo, do ponto de equilíbrio.
Nesse contexto, o debate sobre a possível antecipação da mistura B16 ganha peso também do ponto de vista energético. A medida pode reduzir a exposição do país à volatilidade do diesel importado, embora sua eficácia dependa de maior ritmo de negociações e de uma postura menos defensiva das distribuidoras.