Oferta elevada redefine cenário agrícola argentino
Trigo deve se igualar a recorde
Trigo deve se igualar a recorde - Foto: Divulgação
A nova safra argentina de trigo deve igualar o recorde de 2021-22, mas o avanço ocorre em meio a preços pressionados e a um cenário econômico delicado. O país atravessa crise cambial e busca apoio externo para estabilizar a economia enquanto se prepara para colher 23 milhões de toneladas em 2025-26, impulsionado por chuvas sem precedentes que elevaram a umidade do solo. Apesar do potencial produtivo, o hedge cobria apenas 15 por cento da safra em meados de outubro, metade do nível usual para o período.
Segundo a Bolsa de Rosário, a forte oferta global e a mudança no comportamento de compra da China explicam parte do recuo dos preços, assim como a concorrência do milho mais barato no mercado de ração. O acordo de 20 bilhões de dólares firmado com os Estados Unidos busca aliviar a falta de liquidez em moeda forte após a corrida ao peso em setembro. Notícias indicam que o país receberá suporte adicional por meio de fundos soberanos e bancos privados, enquanto o governo norte americano estudou ampliar a cota de carne bovina argentina.
A produção agrícola sustenta parte importante da economia argentina, marcada por grande diversidade regional e forte presença de propriedades familiares, muitas delas vulneráveis aos efeitos do clima. Na nova temporada, o trigo ocupa 6,7 milhões de hectares, com a região central respondendo por 66 por cento da produção e expectativa de 15,2 milhões de toneladas. A maior parte será destinada à moagem, estimada em 6,7 milhões de toneladas equivalentes.
As exportações podem alcançar 15 milhões de toneladas, com Brasil, Indonésia e mercados da América do Sul, Sudeste Asiático e África entre os destinos. O milho tem produção prevista de 54 milhões de toneladas, favorecida pelo clima e pela recuperação da área plantada. As projeções de exportação variam de 33,5 a 37 milhões de toneladas. Na soja, a área deve recuar, mas a produção tende a subir ligeiramente para 49,5 milhões de toneladas, mantendo o país como referência global em farelo e óleo.