CI

Paraná transforma esterco de porco em gás e adubo


Considerados um dos principais causadores de problemas ambientais no agronegócio, os dejetos da criação de suínos estão sendo aproveitados para a geração de gás combustível, fertilizante e alimento para peixes. Um projeto-piloto, implantado há um ano em Toledo (Oeste do Paraná), apresenta bons resultados e poderá ser estendido a todas as propriedades do município, que possui o maior rebanho individual do País.

O sistema de tratamento utiliza biodigestores -estruturas fechadas para onde são conduzidos, por tubulações, o esterco e a urina dos animais. Nesse local, o material entra em processo natural de fermentação, provocado por bactérias anaeróbicas (que se desenvolvem na ausência total de oxigênio) e do qual resultam gás, um resíduo pastoso e efluentes líquidos.

Os três subprodutos têm emprego econômico. O gás (metano, diferente do GLP, que é o butano) pode ser utilizado para os mesmos fins: a geração de energia, aquecimento de pocilgas e aviários no inverno e até em fogões domésticos. O material sólido vira adubo natural para as lavouras. Já os efluentes líquidos alimentam algas em tanques, que depois viram comida para peixes criados em açudes.

O Biossistema Integrado à Suinocultura é desenvolvido pelo Centro Estadual de Educação Profissionalizante (Ceep) de Toledo -um colégio agrícola profissionalizante mantido pelo governo do Estado-, em convênio com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), A Prefeitura de Toledo, a agroindústria Sadia e a Fundação Banco do Brasil (FBB). A Sadia possui no município um dos maiores frigoríficos do mundo, com o abate diário de 5,3 mil suínos.

A poluição do solo, de rios e fontes de água pelo despejo dos dejetos diretamente na natureza é um grande problema ambiental no meio rural da região Sul, maior produtor de suínos do País. A situação é mais grave em Santa Catarina, que responde por 30% da oferta nacional, onde já foram iniciados alguns projetos para dar o destino adequado ao material.

Hoje, a maior parte das propriedades mantém esterqueiras no solo, antes que o material seja levado para as lavouras. Em períodos de chuva, as esterqueiras vazam, contaminando rios e nascentes.

Segundo Luís Fumio Iwata, diretor de Ciência e Tecnologia da FBB, medições feitas em Toledo mostraram que a carga de poluentes nos efluentes que saem dos biodigestores foi reduzida de 20 mil para apenas 16 DBOs por 100 mililitros de água. Ele afirmou também que os grandes frigoríficos estudam o pagamento de adicionais para os fornecedores que utilizam processos de produção limpos.

O custo para a implantação do biodigestor varia, de acordo com o tamanho do rebanho atendido e o material utilizado, já que o equipamento pode ser feito de aço, cimento ou até lona. De acordo com o coordenador do projeto em Toledo, o engenheiro de pesca César Ademar Hermes, o sistema pode custar entre R$ 1,5 mil a R$ 15 mil. No projeto, os cinco parceiros já investiram cerca de R$ 200 mil.

Além da escola técnica, o projeto-piloto vem sendo desenvolvido em uma propriedade de 32 hectares, que produz suínos, peixes e frangos. A Granja Preto já encontrava dificuldades para obter licença junto ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Darci José Backes, genro do proprietário, Irno Preto, e administrador do sítio, diz que o biodigestor só trouxe vantagens.

O número de matrizes alojadas pôde ser ampliado de 160 para 370; nos tanques de criação de tilápias onde foi introduzida a alimentação à base de algas e capim (nos demais ainda é utilizada ração), o custo caiu a zero; e o bombeamento da água para os açudes hoje é feito por um motor adaptado a gás, também sem custo algum. A granja produz cerca de 15 toneladas do peixe anualmente.

A propriedade utiliza dois biodigestores, com capacidade para 50 mil litros cada. Ela é uma UPL (Unidade de Produção de Leitões) da Sadia, de onde os 10 mil animais nascidos anualmente são transferidos para outras propriedades para a engorda.

`Além de reduzir os custos e criar formas de aproveitamento do esterco, o biodigestor praticamente acabou com o mau cheiro e as moscas`, afirma Backes. Segundo o engenheiro Hermes, o gás metano originado no processo tem cheiro característico -de pântano-, mas mais suave que o do GLP.

A instalação de biodigestores virou uma disciplina nos cursos de técnico em suinocultura e técnico em psicultura oferecido pelo colégio agrícola de Toledo. Com isso, os patrocinadores do projeto pretendem promover a difusão da tecnologia.

Fonte: Valmir Denardin - Curitiba/PR

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7