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Pecuária perderá espaço para cana em SP

Devido à expansão da cana, a pecuária e o cultivo de outros produtos agrícolas devem perder espaço


A meta do governo de São Paulo é que até 2015 toda a área de produção de cana-de-açúcar passível de mecanização tenha a colheita feita através de máquinas. A informação foi dada nessa quinta-feira (19-04) pelo secretário de Agricultura e Abastecimento, José Sampaio, durante apresentação da unidade 1000 de colhedora de cana feita pela Case IH, de Piracicaba. O secretário mencionou que devido à expansão da cana, a pecuária e o cultivo de outros produtos agrícolas devem perder espaço.

O Estado de São Paulo tem uma área de 4,2 milhões de hectares de cana, sendo o principal produto agrícola do território paulista, respondendo por 45,5% do valor bruto da produção agropecuária estadual em 2006. O mercado tende a crescer principalmente em função da exportação do álcool para outros países. Por isso, de acordo com o secretário estadual, existe uma forte tendência que a pecuária perca espaço para a produção da cana. “É uma opção de quem produz em função do mercado, mas isso não é sinal de desequilíbrio. Pelo contrário, embora a produção possa ser menor em termos territoriais, ela deve ser mais intensa”, explicou.

Na região de Barretos, por exemplo, onde ainda predomina a criação de gado, deverá haver uma expansão do cultivo da cana. Em relação a outros produtos da citricultura, Sampaio citou que a região de Sorocaba e Avaré, por exemplo, deve registrar a produção mais intensa se comparada a outros municípios do estado.

De acordo com Isomar Martinichen, diretor da comercial da Case IH ( líder mundial na mecanização em cana-de-açúcar), a expectativa de crescimento da empresa é de 40% neste ano para equipamentos agrícolas utilizados na produção de cana enquanto para máquinas para grãos, a alta deve ser de 20% a 25%.

Mecanização

Segundo Fábio Borgonhone, gerente comercial da Case IH, cerca de 40% da produção de cana estadual é mecanizada. Como as leis devem se tornar cada vez mais rígidas, a expectativa é que esse porcentual aumente significativamente ano a ano, gerando inclusive mais empregos na cadeia produtiva.

Uma máquina, que é exportada para mais de 50 países, tem um custo que varia de R$ 850 mil para R$ 1 milhão, dependendo da carga tributária. Em Piracicaba, são produzidos três equipamentos por dia. “Deste total, 55% é para o mercado nacional e outros 45% para o exterior”, explicou. A máquina trabalha 20 horas por dia.

A necessidade de mecanização, no entanto, se depara com a dificuldade para adquirir as máquinas, principalmente entre os pequenos produtores. No entanto, na opinião de Martinichen, a tendência é que as usinas intermediem a compra para o seus fornecedores que, em muitos casos, são os pequenos produtores.

O secretário também acrescentou que, a pedido do governador José Serra (PSDB), estão sendo estudados vários projetos que possam incentivar a mecanização. Apesar do esforço, dos avanços técnológicos e dos investimentos para melhorar a eficácia dos equipamentos, Borgonhone enfatizou que em alguns casos a colheita ainda é manual, como nas áreas de grande declive ou encostas.

Exportação

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, afirmou, durante encontro com os co-presidentes da Comissão Interamericana para Produção de Etanol, o ex-governador da Flórida Jeb Bush (irmão mais novo do presidente dos EUA) e o ex-ministro Roberto Rodrigues anteontem, que o Brasil pode dobrar a produção atual de álcool, de 17,5 bilhões de litros, em pouco mais de dez anos para atender à demanda global.

As previsões, segundo o secretário estadual, são as provas de que o País não precisa apenas exportar açúcar e álcool, mas ser o grande irradiador e vendedor de tecnologia para os outros países. Dados da Secretaria Estadual de Agricultura, mostram que o complexo cana e sacarídeas, o Brasil exportou o equivalente a US$ 7,79 bilhões em 2006.

São Paulo respondeu por 72,4% deste total, ou o equivalente a US$ 5,65 bilhões. Em relação às exportações de álcool, o estado exportou o US$1,22 bilhão, ou 75% do valor de exportação de todo o álcool brasileiro que somou US$1,62 bilhão. Já quanto ao açúcar, as vendas paulistas ao exterior registraram US$ 4,23 bilhões ou 71,7% das exportações nacionais, que alcançaram US$ 6,16 bilhões.

Empregos

A expansão do mercado, conforme Valentino Rizziolli, presidente da CNH para a América Latina, representa a criação de novos postos de trabalho na região de Piracicaba. Se por um lado a mecanização representa a perda de empregos para trabalhadores rurais, a expansão da cadeia produtiva voltada para a criação de máquinas também geram empregos. A unidade de Piracicaba emprega 247 pessoas (entre efetivos, temporários, estagiários e terceiros) e tem a produção estimada de 350 colhedoras de cana para 2007.

Máquina é entregue para a Usina São Martinho

A milésima máquina foi entregue para uma das maiores usinas de cana-de-açúcar do mundo, a Usina São Martinho. A unidade de Piracicaba é a única planta da Case IH que fabrica essas máquinas no mundo. Em fase de expansão, a fábrica deve receber investimentos de US$ 40 milhões no período de 2006 a 2009. Os recursos serão usados em pesquisas e desenvolvimento de produtos, desenvolvimento e implementação de sistemas de suporte comercial e pós-vendas, treinamento de pessoal e ampliação da fábrica.

Junto com a comemoração da milésima máquina da linha A7000, a unidade de Piracicaba completou 10 anos. A planta foi fundada em abril de 1996 e um ano depois passou a produzir colhedoras com tecnologia Austof. Atualmente, também são fabricados pulverizadores, plantadeiras de grãos e colhedoras de café. O ministro da Agricultura, Reinholds Stephanes e o governador do estado, José Serra (PSDB) foram convidados para participar do evento de comemoração, mas não compareceram.

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