Plantio superadensado de tomate conquista novos Estados
Experimento realizado por produtores capixabas mostra que técnica pode triplicar a produção
Um novo sistema de plantio de tomate, cuja característica principal é o superadensamento, foi desenvolvido no Espírito Santo e promete mudanças significativas no processo produtivo. Comparado ao cultivo convencional, o processo pemite melhor aproveitamento da área plantada, redução dos custos com mão-de-obra, melhor qualidade de frutos e produtividade elevada. Os custos de produção são, em média, 30% mais elevados, mas a safra maior compensa, o que significa aumentar a lucratividade do horticultor.
Os trabalhos vêm sendo realizados pelo produtor Ananias Spessemille Viçosi, que é também técnico agrícola, e pelo engenheiro agrônomo Sérgio Maruitti e, a partir dos resultados obtidos, diversos produtores adotaram a técnica, alcançando bons resultados. Muitas variedades de tomate de mesa foram testadas no projeto, mas os técnicos observam que a cultivar Miramar, da empresa de sementes Seminis, tem alcançado o melhor resultado, seguida da cultivar TY Fanny, da mesma empresa, que também se empenha na difusão da nova técnica.
A produção em cultivo superadensado teve início numa propriedade rural de Marechal Floriano (ES) e agora conquista produtores em outros Estados, como Rio de Janeiro e Minas Gerais. Segundo Ananias Viçosi, a tecnologia pode ser usada em qualquer região do País, mas cuidados com manejo e controle químico de pragas e doenças. Segundo ele, no Espírito Santo, desde que o processo começou em 2002, já foram feitos plantios comerciais em condições diversas no inverno e no verão, sob temperaturas que variaram de 3 a 30 graus centígrados e o resultado foi positivo em todos os casos.
O agrônomo Sérgio Maruitti explica que na hora de escolher a cultivar, é melhor optar por aquelas com menor área foliar e maior capacidade de calibre de frutos, além de resistência às principais doenças da cultura, como nematóide, fusarium e verticilium. Ele afirma também que o plantio superadensado vai bem em qualquer região onde já se tenha tradição de produzir tomate de mesa e pode ser feito por horticultores de todos os portes, desde que tenham disposição para adotar procedimentos corretos de condução da lavoura, como a irrigação localizada, por exemplo. Mas não há grande diferença do que já é feito nos plantios convencionais.
Diferenças
A principal diferença do plantio convencional para o superadensado está no número de plantas por hectare. Enquanto no primeiro caso são usadas em média 13 mil plantas por hectare, no segundo são 44 mil pés de tomate. O espaçamento entre plantas é de apenas 15 centímetros, mas entre as fileiras o espaço permanece o mesmo (1,60 metro). Antes de partir para grandes lavouras comerciais, é importante que os produtores façam cultivos menores para testar o processo.
As plantas são tutoradas (sustentadas) por fitilhos amarradas na parte superior a uma estrutura de madeira com arame esticado. Na realidade, planta-se uma única fileira, com espaçamento de 15 centímetros entre plantas, mas para o tutoramento são usados dois arames (com distância de 60 centímeros entre si). Desse modo, a guia de um pé vai para um arame e a do próximo para o outro. Ananias explica que dessa forma a concorrência da parte foliar se torna menor, já que o espaçamento acaba ficando em 30 centímeros, em direção oposta.
As plantas são conduzidas pela guia principal e "capadas" quando completam seis cachos, sendo que estes são raleados com cinco frutos. Esse procedimento permite obter mais frutos do tipo 2A (boca 6), chegando a produzir até 95% dos frutos nesse padrão.
A média produzida nos plantios convencionais é de até 5 mil caixas por hectare. Já no sistema superadensado, a produção média vai de 10 mil a 14 mil caixas por hectare. Conforme o técnico, para obter 5 mil caixas de tomate no sistema convencional, o produtor gasta em média R$ 28 mil por hectare, enquanto no novo processo, o gasto sobe para R$ 36 mil. Contudo, com a colheita chega a ser três vezes maior, esse aumento é viável.
O plantio superadensado reduz custo com mão-de-obra. Isso porque no sistema normal, é necessário um trabalhador para cada 3 mil pés de tomate. No novo método, cada trabalhador consegue cuidar de 13 mil pés. A substituição das varas de bambu por fitilhos no monitoramento também trazem ganhos aos produtores, inclusive na questão sanitária, já que os bambus podem levar doenças fúngicas e bacterianas para novas áreas. A irrigação é localizada, por gotejamento, o que reduz os danos mecânicos, bem como a incidência de doenças foliares.