Podem faltar sementes de soja em Mato Grosso

Agronegócio

Podem faltar sementes de soja em Mato Grosso

Plantio da nova safra brasileira de soja tem início a partir de setembro, com cultivo precoce em Mato Grosso
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O excesso de chuvas no período da colheita atrapalhou a safra de sementes de soja para temporada 09/10, em Mato Grosso, colocando em risco o abastecimento de grãos para o plantio. Por conta da quebra de 25% na produção este ano, as variedades mais procuradas poderão estar em falta no mercado. Com isso, os produtores terão de procurá-las em outras regiões do país, mas provavelmente não haverá estoque para atender a todos, já que as variedades mais apropriadas à região são produzidas no próprio Estado.

"As chuvas de fato atrapalharam a produção de grãos de sementes não só no sul de Mato Grosso, onde se localizam 80% do parque sementeiro, como também em Goiás, Minas Gerais, Distrito Federal e Bahia. Toda a região Centro-Oeste foi afetada pelas chuvas no período da colheita, nos meses de março e abril", conta o presidente da Associação dos Produtores de Sementes do Estado (Aprosmat), Elton Hamer.

Ele diz que a perda da safra de sementes "ficou ao redor de 25%" da produção estimada. Os grãos para plantio produzidos pelas sementeiras de Mato Grosso respondem por 75% do abastecimento total do Estado. "A frustração ocorreu e se deu com a mesma grandeza em outras regiões do país, que são estados que potencialmente abastecem Mato Grosso", avalia Hamer.

Mas, segundo ele, a escassez de sementes no Estado não deverá comprometer a safra. "Normalmente, de uma forma ou de outra, o abastecimento acaba acontecendo". O problema, na avaliação da Aprosmat, são as variedades mais resistentes. "O produtor terá que substituir estas variedades, que já estão com seu estoque zerado, pelas variedades menos adaptadas à região, ocasionando redução de tecnologia e perda de produtividade".

O consumo previsto de sementes para a nova safra em Mato Grosso é de 7 milhões de toneladas. "O volume é relativo, depende da qualidade e do tamanho da semente a ser comercializada", explica Hamer. Na safra 08/09, o volume utilizado foi o mesmo previsto para este ano.

De acordo com Hamer, a colheita já está toda concluída. Em Mato Grosso, os municípios de Pedra Preta e Alto Garças, localizados acima da Serra da Petrovina, na região sul do Estado, são os maiores produtores de sementes. E foram justamente os que registraram as maiores perdas nesta safra. Juntos, Pedra Preta e Alto Garças chegam a representar mais de 50% de toda a produção de sementes de soja de Mato Grosso.

EFEITO - Hamer informou que a queda das sementeiras inflacionou os preços para os produtores em cerca de 25%. Em média, uma saca era vendida por preços de US$ 35 a saca de 40 quilos. Hoje, o produto é vendido por preços que variam de US$ 40 a US$ 45.

"Ao contrário do que muita gente pode imaginar, estas novas cotações não chegaram a beneficiar ou melhorar significativamente as margens de lucro das sementeiras, que têm custos elevados para produzir a semente", garante Elton Hamer. Segundo ele, os gastos com semente representam em média cerca de US$ 50 por hectare no custo de produção dos sojicultores. Em Mato Grosso são 34 empresas produtoras de sementes.

Hamer informou que os produtores estão encontrando dificuldades para financiar a aquisição de sementes para a safra 09/10. Em média, o produtor aplica entre 30 e 70 quilos de sementes para plantar um hectare. O volume de aplicação depende da variedade utilizada.


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