Pouco negócio com trigo expõe problema recorrente de liquidez
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Agronegócio

Pouco negócio com trigo expõe problema recorrente de liquidez

O motivo é que a maior parte dos moinhos está abastecida com mais de 1,5 milhão de toneladas de trigo isento da tarifa de importação
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A ausência de negócios com trigo no mercado físico expõe novamente os produtores brasileiros ao já conhecido problema de liquidez do cereal. Diante de uma safra estimada em mais de 5 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que corresponde a 50% do consumo interno, os triticultores do Paraná não conseguem encontrar negócios em virtude da baixa demanda compradora no estado. Dados da Safras & Mercado mostram que dos 2,9 milhões de toneladas previstos, 60% já foi colhido (1,74 milhão de toneladas) e apenas 450 mil toneladas (15% do total) foi comercializado. No Rio Grande do Sul, que colherá 2,2 milhões de toneladas, o volume é incipiente.

O motivo, segundo especialistas, é que a maior parte dos moinhos está abastecida com mais de 1,5 milhão de toneladas de trigo isento da tarifa de importação, que entraram no País até agosto. O presidente da Cooperativa de Campo Mourão (Coamo), José Aroldo Gallassini, diz que o comércio está parado no estado. "Mas acredito que as coisa não fiquem assim por muito tempo. Os produtores precisam cobrir despesas". Segundo disse, a falta de liquidez é um problema que se repete a cada ano e acredita que a situação deverá se normalizar em no máximo 15 dias.

Lawrence Pih, presidente do Grupo Moinho Pacífico, confirma que os moinhos estão abastecidos. No entanto, prevê que o setor só voltará a comprar em 30 dias. "Estamos analisando o mercado argentino, mas se o dólar continuar nesse patamar será mais viável comprar por aqui mesmo". Disse ainda que o crédito para importação ficou escasso, o que aumenta a tendência de compra no País.

"Em algum momento a indústria terá que comprar. Isso deverá ocorrer a partir da segunda quinzena de novembro", prevê Élcio Bento, analista da Safras & Mercado. Ele destacou o fato de o mercado interno necessitar de importação para suprir o consumo total. "Por isso, os preços serão positivos a partir de março de 2009", avalia. A orientação na Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) é que os produtores participem dos programas do governo. "A ajuda do governo federal tem sido positiva para o setor", destacou Flávio Turra, gerente técnico da associação.

Sílvio Farnese, coordenador geral de cereais e culturas anuais do ministério da Agricultura, revela que o governo já fez dois leilões de contratos de opções que consumiu 220 mil toneladas do cereal. Para 2 de outubro, explica, será realizado a mesma modalidade para comprar 130 mil toneladas do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. "No dia 9 será realizado um leilão de PEP (Prêmio de Escoamento de Produção) para mais 130 mil toneladas de São Paulo e Paraná".


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