CI

Praga ataca lavouras da região do Triângulo Mineiro

Duas plantações em fazendas de Monte Alegre de Minas já foram destruídas


Uma nova praga chegou causando prejuízos às lavouras de soja do Triângulo Mineiro neste ano. Comum no Sul e Centro Oeste do País, o coró-da-soja atacou e destruiu, de novembro a janeiro, duas plantações em propriedades no município de Monte Alegre de Minas. De acordo com o engenheiro agrônomo Gilberto Carlos de Freitas, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater) em Uberlândia, a agressividade do coró é menor do que a da ferrugem asiática - a pior praga que ataca a soja na região – mas nem por isso o produtor deve deixar de tomar os cuidados necessários.

O coró-da-soja é a larva dos besouros coleópteros, que penetra no solo após a eclosão dos ovos e se alimenta das raízes da planta e restos orgânicos encontrados no subsolo. Elas permanecem ali por cerca de seis meses e o poder de destruição depende da quantidade de larvas e do estágio de crescimento do vegetal. Se a lavoura for atacada no início da germinação, com população de uma larva de 3 cm para cada quatro plantas, o volume de raízes reduz em 60% e a plantação não se desenvolve.

Os primeiros sinais de ataque são o amarelecimento e redução do crescimento das folhas. A praga ataca, preferencialmente, lavouras de plantio direto sobre palha, porque as condições de umidade e oferta de matéria orgânica é maior neste tipo de cultura.

Recomendação

A principal recomendação da Emater para evitar as larvas é a rotação de culturas, com algodão e crotalária (leguminosa). O manejo e removimento do solo com arado também são indicados. “Quando o solo é mexido e as larvas são expostas ao sol, elas morrem. Além disso, as que sobrevivem servem de alimento para gaviões e outras aves”, disse Gilberto de Freitas.

Outra sugestão do agrônomo é utilizar variedades com desenvolvimento radicular mais rápido e executar o plantio antecipadamente no início de novembro ou fim de outubro. “Assim, é possível fugir do estágio agressivo das larvas. Quando elas atacarem, a planta já estará suficientemente forte e enraizada”, afirmou.

De acordo com a Emater, ainda não há motivo para alarde entre os produtores e os prejuízos causados pela praga são casos isolados. Apesar disso, segundo Freitas, a região pode se preparar para lidar com o coró-da-soja, já que as larvas que atacaram as propriedades neste ano se transformarão em adultos que botarão mais ovos e disseminarão a praga pelo Triângulo nos próximos anos.

Produtor tem prejuízo estimado em R$ 300 mil

A fazenda do produtor Domingos Mastrantônio Júnior, a 100 quilômetros de Uberlândia, foi uma das propriedades atacadas pelo coró-da-soja em Monte Alegre de Minas. Ele perdeu 400 hectares de soja no início da germinação e teve um prejuízo estimado em R$ 300 mil. “Agora, não há o que fazer, porque eu não tinha seguro. Tenho que engolir o prejuízo e tentar acabar com a praga para me recuperar nos próximos anos”, disse.

No ano passado, ele percebeu a revoada de besouros na lavoura, mas não imaginou que a devastação seria tão intensa. “Deu perda total, tive que abandonar o plantio de soja na área afetada”, afirmou. No lugar da soja, ele plantou milheto, que ainda não cresceu.

Em outra parte da fazenda, o produtor plantou sorgo, que já começa a dar sinais do ataque do coro-da-soja. “Ainda não sei se o coró vai afetar o sorgo também, tenho que esperar para ver”, disse.

Serviço
Produtores interessados em mais informações sobre o combate à praga, ou em assistência técnica, devem entrar em contato com a Emater pelo telefone 3236-0122 ou na avenida Fernando Vilela, 1.645, bairro Martins.

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7