Praga devasta cultivo de goiaba no Vale do São Francisco
A cultura da goiaba agoniza no Vale do São Francisco, em Pernambuco e na Bahia
A cultura da goiaba agoniza no Vale do São Francisco, em Pernambuco e na Bahia. A praga do Meloidogyne Mayaguensis alastrou-se e com a produção quase aniquilada o governo acena com valores irrisórios para a pesquisa. Os produtores de goiaba tentam conviver há quase dez anos com o nematóide Meloidogyne mayaguensis, que instala-se na raiz sufocando a planta, mas a praga vem se alastrando. Estima-se que a área plantada caiu em quase 50% em Pernambuco, segundo produtor nacional, e a Bahia, apesar de ainda ocupar o terceiro lugar, também sofre com a praga.
A cultura da goiaba, feita por pequenos produtores que conseguiam lucro em função do baixo custo de produção em relação à uva e manga, teve apogeu nos anos 1999/00 com o aumento da procura pela fruta em feiras e supermercados. Os primeiros sintomas da presença do nematóide no solo foram detectados em 1996 e desde então o controle químico aliado à tentativa de isolar a praga vem sendo ineficaz. Atualmente, a goiaba está em falta no Vale, o que obriga empresas da região a importar matéria-prima de São Paulo.
O fim da cultura da goiaba, com seu baixo custo de produção e colheita praticamente o ano inteiro, afeta o comércio no pólo produtor de Petrolina. A mudança para outras culturas como banana depende de empréstimos para quem já tem histórico de inadimplência. Após três anos de espera, convênio assinado entre a Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária, BNB e a empresa Tambáu no valor de R$ 35.564,00, há cerca de um mês, ainda aguarda abertura de conta pelo IPA para que seja dado início à pesquisa que pode salvar a cultura da goiaba no Vale do São Francisco.
O técnico do IPA, Vanildo Cavalcanti, informa que não se partirá do zero na pesquisa contra o Melodoigyne mayaguensis. Segundo ele, há trabalhos isolados sobre o tema e com o convênio será possível somar esforços. “A proposta é encontrar um suporte ou cavalo resistente, de raiz profunda, para a ele acoplar a espécie de goiaba desejada e conjuntamente testar nematicidas que aumentem a resistência da cultura”, diz.
A questão é que a demora em agir por parte dos órgãos oficiais levou a uma agonia lenta e os produtores têm pressa em controlar a praga. Porém há outras verbas para pesquisa em fase de liberação. Um acordo específico de integração com Cuba, pensado em 2002, sobre controle biológico, inclui o M. mayaguensis. As informações são da assessoria de imprensa da Oficina de Notícias.