Preço do farelo de soja sobe 4,8%
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Agronegócio

Preço do farelo de soja sobe 4,8%

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Demanda continua firme apesar dos casos de gripe do frango; no ano, a alta atinge 47%. A ausência de novos casos de gripe do frango nos Estados Unidos e a manutenção de clima quente e seco na Argentina, terceiro maior produtor mundial, provocaram forte alta dos preços do complexo soja na Chicago Board of Trade (CBoT). O farelo de soja foi o carro-chefe, registrando alta de 4,8% no dia. O grão subiu 2,6% e o óleo, 0,5% na bolsa.

"O mercado percebeu que, apesar dos casos de gripe do frango na Ásia e nos Estados Unidos, as projeções de queda do consumo de farelo não se concretizaram: a China continua comprando como nunca", diz Renato Sayeg, da Tetras Corretora.

O apetite chinês não só por commodities agrícolas, mas também por outras mercadorias, elevou os preços do frete marítimo no mercado internacional. Na safra passada, o frete agrícola entre a América do Sul e a Ásia era de US$ 35 a tonelada. Neste início de safra, não sai por menos de US$ 85. "Também deve-se levar em consideração que um navio leva 12 dias para chegar à Europa, porém 35 dias para chegar até a China", diz um trader. "Estão faltando navios no mercado internacional", diz. Em razão dos elevados custos de transporte, correram rumores, na semana passada, de que a China cancelaria compras de soja dos Estados Unidos. "Esses rumores se provaram falsos, o que ajudou os preços a subirem ainda mais", diz Sayeg.

A demanda continua é firme, porém na ponta da oferta, o clima é fonte de preocupações para o mercado. De acordo com meteorologistas, a previsão é de clima seco até o final desta semana na Argentina. A falta de umidade preocupa os produtores, já que as próximas cinco semanas são consideradas críticas para o desenvolvimento das lavouras do país.

Mercado interno

No mercado interno, a comercialização no mercado físico está praticamente paralisada. "A esses preços, o produtor quer vender, mas o comprador não está disposto a comprar", diz um trader, de São Paulo. Poucos negócios foram feitos, com exceção do Paraná, onde uma esmagadora aproveitou para comprar. "Não estão saindo negócios nem mesmo para exportação", afirma.

Para ele, os elevados preços da soja em Chicago refletem somente a quebra de safra nos Estados Unidos, mas não levam em conta a super produção registrada na América do Sul. Os norte-americanos, que esperavam colher 80 milhões de toneladas, vão colher perto de 65,8 milhões de toneladas de soja. Para o Brasil, a estimativa inicial era de produção de 58 milhões de toneladas; hoje é de 61 milhões.

Nos últimos doze meses, a cotação da soja subiu 48,3%, a do farelo 46,7% e a do óleo, 53,2%.

Registros de exportação

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) informa que até 31 de janeiro foram emitidos registros para exportar 8,1 milhões de toneladas de soja da safra nova 2004/05 (fevereiro a janeiro), pouco abaixo das 8,3 milhões de toneladas apuradas em igual período do ano passado. Os registros demonstram a intenção de exportar, porém não são um compromisso firme.

Os registros para o farelo são de 3 milhões de toneladas, inferiores às 4,4 milhões de toneladas apuradas em igual período de 2003. Para o óleo, foram emitidos registros de 456 mil toneladas, abaixo das 690 mil toneladas verificadas em janeiro de 2002.

A Abiove prevê que serão embarcadas 25,2 milhões de toneladas de soja, 16,4 milhões de toneladas de farelo e 2,8 milhões de toneladas de óleo em 2004/05.


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