Preço do gado recua 5% no Rio Grande do Sul
Pecuaristas não descartam a influência da portaria 49 na desvalorização da carcaça
Pecuaristas e indústrias frigoríficas registraram, no último mês, uma redução de aproximadamente 5% no preço da carcaça do gado no Rio Grande do Sul. O recuo ocorre após dez dias da publicação da portaria 49, da Secretaria da Agricultura (SAA), que libera o ingresso de carne bovina com osso do Acre, Rondônia, Santa Catarina e dois municípios do Amazonas. O coordenador da Comissão de Bovinocultura de Corte da Farsul, Carlos Simm, afirmou que a determinação estadual deve ter participação na queda da cotação do gado, embora seja considerada a sazonalidade na oferta do produto nesta época do ano. O valor pago ao produtor caiu de R$ 4,20 para entre R$ 4,00 e R$ 4,10 o quilo vivo, em média. "É normal uma redução no preço nos meses de março, abril e maio. Não dá para afirmar que seja por causa da portaria, mas é claro que há influência."
Já o presidente do Sicadergs, Ronei Lauxen, admite que houve um leve aumento na oferta de gado, contudo, ressalta que ainda há dificuldade para se obter a matéria-prima. "Mas está bem melhor que no mês de fevereiro", ponderou. Segundo ele, o preço à indústria pela carcaça, está em torno de R$ 4,50 o quilo.
O presidente da Associação Gaúcha dos Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo, confirmou o aumento da oferta de carne bovina no varejo. De acordo com ele, alguns cortes já apresentaram redução no preço. "A costela chega a ter queda de 10%, e alguns cortes até mais", salientou. O dirigente informou que aguarda por uma remessa de 500 toneladas de carne de gado vinda de outros estados que deve chegar nos próximos 15 dias ao RS.
O secretário da Agricultura, João Carlos Machado, revelou que irá convocar uma reunião para a próxima semana com os integrantes de toda a cadeia produtiva da carne, incluindo o varejo. "Nossa curiosidade é saber se os 5% de redução ao produtor trouxeram benefício ao consumidor", acrescentou Machado.