Pressão da colheita estadunidense provoca recuo nas cotações
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Imagem: Marcel Oliveira
MILHO

Pressão da colheita estadunidense provoca recuo nas cotações

Os embarques de milho estadunidense somaram 636.290 toneladas na semana anterior
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As cotações do milho, em Chicago, igualmente recuaram nesta semana, rompendo o piso dos US$ 4,00/bushel, ao fechar, no primeiro mês, em US$ 3,98 nesta quinta-feira (29), contra US$ 4,16/bushel uma semana antes.

O recuo nas cotações se deu em função da pressão da colheita estadunidense; do retorno das chuvas em algumas regiões da América do Sul; e a liquidação de contratos por parte dos Fundos especulativos.
A colheita do milho nos EUA avança igualmente bem, tendo atingido a 72% da área total até o dia 25/10, contra a média histórica de 56% para esta data.

Os embarques de milho estadunidense somaram 636.290 toneladas na semana anterior, ficando abaixo do esperado. Entretanto, no total do ano comercial 2020/21 os EUA já exportaram 6,1 milhões de toneladas, superando em 75% o volume da mesma época do ano anterior.

A China informou que suas importações de milho em setembro atingiram a 1,08 milhão de toneladas, superando em 675% o volume comprado em setembro do ano passado. No acumulado do corrente ano os chineses já compraram 6,7 milhões de toneladas do cereal.

Na Argentina, a expectativa é de que as chuvas, que voltaram a aparecer nesta semana, não fiquem apenas nisso, pois já há estresse hídrico em 10% das lavouras de milho do vizinho país. Até o momento a Argentina plantou 27,5% da área esperada com milho para este verão, cujo total deve ser de 6,3 milhões de hectares. E no Brasil os preços do milho se mantiveram firmes e com viés de alta. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa, que tem por base Campinas-SP, apontou uma alta de 23,9% nos primeiros 23 dias de outubro, com o saco do cereal atingindo a R$ 78,82. Já no dia 27/10 o mesmo atingiu o seu recorde real ao bater em R$ 81,48/saco. No acumulado do ano de 2020, o Indicador do preço do milho acumula alta de 67,7% em termos nominais até o dia 27/10.

Paralelamente, o plantio da safra de verão atingia a 46% da área esperada no dia 22/10, contra 51% na média histórica para esta época, estando um pouco atrasado. Há perdas de potencial produtivo em grande parte do Centro-Sul brasileiro, especialmente nos três Estados do Sul, devido a falta de chuvas. Em muitos casos lavouras inteiras semeadas já foram perdidas.

Neste contexto, o preço médio no balcão gaúcho fechou o mês de outubro em R$ 69,15/saco, enquanto nas demais praças nacionais os preços assim ficaram: R$ 70,00 na região central de Santa Catarina; entre R$ 68,00 e R$ 68,50 no Paraná; R$ 64,00 em Campo Novo do Parecis (MT); R$ 72,00 em Maracaju (MS); R$ 83,00 em Itapetininga (SP); R$ 85,00 no CIF Campinas-SP; e R$ 70,00 nas regiões goianas de Rio Verde e Jataí. 

No Mato Grosso, a atual safra já foi 95% comercializada, com o mercado ainda não sentindo nenhum efeito da retirada da tarifa externa comum do Mercosul sobre o produto procedente de fora do bloco.  No Paraná, há preocupação com o atraso no plantio da soja, o qual tenderá a atrasar o plantio da safrinha futura de milho. Enquanto isso, o plantio da safra de verão atingiu a 92% da área esperada. (cf. Deral)

No Rio Grande do Sul, segundo a Emater, o plantio do milho já superou os 70% da área esperada e as chuvas da última segunda-feira, mesmo que irregulares, animou um pouco o setor produtivo. Dito isso, a falta de chuvas vem provocando perdas antecipadas e preocupando sobremaneira os produtores.

Com a nova desvalorização do Real, as exportações ficaram ainda mais competitivas. Além disso, a demanda interna pela indústria de ração continua forte, com o clima provocando apreensões quanto a possibilidade de não haver produto suficiente para atender a demanda no início do próximo ano. Todavia, ainda é cedo para se ter uma posição definitiva a respeito.

Quanto às exportações nacionais, nos primeiros 16 dias úteis de outubro o Brasil embarcou 4,3 milhões de toneladas de milho, sendo que os preços subiram 21% em Paranaguá e 19% em Santos no acumulado da parcial de outubro, até o dia 27 (cf. Cepea). Já os contratos para março/21, no porto de Rio Grande, eram cotados a R$ 82,00/saco. Mesmo assim, a média diária exportada em outubro é 14,4% abaixo da média de setembro e 1,6% abaixo da média de outubro de 2019. O preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 170,20.

Já na B3, o pregão da quinta-feira (29) iniciou com o contrato novembro valendo R$ 82,62/saco; janeiro R$ 83,28; março R$ 82,35; e maio R$ 76,50/saco. Assim, até o momento o Brasil já teria exportado 25,1 milhões de toneladas de milho, enquanto a projeção total para o ano é de 34,5 milhões. Em relação ao mesmo período do ano passado, as exportações estão em recuo de 8,6 milhões de toneladas. Se a exportação não confirmar o volume esperado, é provável que os preços do milho recuem na virada do ano. Para todo o mês de outubro a Anec estima um volume exportado de 4,95 milhões de toneladas, reduzindo sua estimativa em 10% em relação a semana anterior


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