Problemas com nematoides no milho se agravam no Centro-Oeste
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Agronegócio

Problemas com nematoides no milho se agravam no Centro-Oeste

Uma das melhores soluções é consorciar o milho com culturas distintas
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Um problema muitas vezes silencioso, sem sintomas precisos, e que tem afetado seriamente a produção de muitas lavouras de milho no Brasil. O aumento da incidência de nematoides nesse cereal, principalmente em lavouras no estado de Mato Grosso, tem sido relatado por grandes produtores que têm constatado a falta de vigor nas espigas colhidas, redução no porte das plantas e no tamanho das folhas, além de quedas vertiginosas na produção final. Na safra 2007/2008, por exemplo, na cultura da soja, foi constatada uma redução de mais de 30% na produtividade ocasionada por esses microorganismos.


Outro agravante é a prática comum da sucessão soja-milho em lavouras instaladas em Mato Grosso, revela o pesquisador Mauro Junior Natalino da Costa, da Fundação Rio Verde (Sinop-MT). “Todo o processo produtivo deve ser pensado para que o produtor tenha uma planta sadia. Algumas espécies de nematoides sobrevivem na entressafra, ainda na forma de ovos, podendo ficar até dois anos em restos de raízes, por exemplo. Dessa forma, a próxima cultura é a mais afetada”, explica o pesquisador.

Segundo ele, uma das melhores soluções é consorciar o milho com culturas distintas, como a crotalária, reduzindo a incidência. No Brasil, segundo trabalhos realizados na Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), mais de 40 espécies de 12 gêneros de nematoides têm sido citadas como parasitas de raízes de milho, sendo que as mais importantes, devido à patogenicidade, à distribuição e à alta densidade populacional, são as seguintes:
Pratylenchus brachyurus, Pratylenchus zeae, Helicotylenchus dihystera, Criconemella, Meloidogyne e Xiphinema.

O primeiro nematoide citado – Pratylenchus brachyurus – causa lesões no sistema radicular, já que penetra na raiz e movimenta-se pelo córtex, formando galerias que prejudicam a absorção de água e nutrientes. Ainda segundo pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados-MS), os maiores prejuízos vêm sendo registrados na região Central do Brasil. Na região Sul, os problemas são minimizados por fatores como temperaturas amenas durante parte do ano, a prática da rotação de culturas e o maior acúmulo de matéria orgânica no solo.

Opção por cultivares resistentes pode ser a melhor opção

O pesquisador Mauro Natalino, da Fundação Rio Verde, apresentou durante o XI Seminário Nacional de Milho Safrinha, realizado em Mato Grosso no final de novembro, que a utilização de cultivares resistentes é a medida mais eficiente e econômica para o controle dos nematoides que parasitam a cultura do milho, além da rotação da cultura com uma espécie não hospedeira, a exemplo da crotalária, bastante utilizada como adubo verde e cobertura do solo, já que tem grande potencial de fixação biológica de nitrogênio.


Entre as cultivares resistentes, trabalhos têm comprovado a eficácia dos materiais BRS 3123, BRS 2114 e BRS 1010, híbridos desenvolvidos pela Embrapa Milho e Sorgo. O BRS 1010, por exemplo, é um híbrido simples de ciclo precoce que apresenta adaptação ampla e alto potencial produtivo. Além da resistência aos nematoides, tem mostrado também alta eficiência na utilização de fósforo, reduzindo os riscos causados pelos veranicos e contribuindo para maior estabilidade de produção. Veja aqui onde encontrar essa cultivar.

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