Produção de cana-de-açúcar poderá crescer 6% na safra 2004/05
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Agronegócio

Produção de cana-de-açúcar poderá crescer 6% na safra 2004/05

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Previsão de aumento da safra reflete crescimento da área de corte e boas condições das lavouras. A safra brasileira de cana-de-açúcar deve se situar entre 315 milhões e 320 milhões de toneladas no período 2004/05, segundo projeções iniciais do mercado. A nova safra, se confirmada, vai superar em, no mínimo, 17 milhões de toneladas, ou 5,7%, o volume recorde da produção passada, de 298 milhões de toneladas. Com as cotações em queda e estoques em altos patamares no mercado interno, a projeção de nova safra recorde preocupa o mercado. "O preço pouco remunerador é encarado pelo setor como uma dificuldade, mas preços baixos em geral ajudam a abertura de novos mercados", avalia João Carlos de Figueiredo Ferraz, diretor da Cristalsev.

Este ano os preços do açúcar e do álcool despencaram em plena entressafra, com queda acumulada nos últimos doze meses de 50% nas cotações do álcool anidro, que estava cotado ontem a R$ 0,55 por litro e de 60% nos preços do açúcar, negociados, em média, a R$ 18,24 por saca de 50 quilos.

"A tendência é de que os baixos preços estimulem o consumo no mercado interno", diz Ferraz. A Cristalsev tem planos de produzir cerca de 2 milhões de toneladas de açúcar este ano, um aumento de 25% em relação ao volume do ano passado, de 1,6 milhão de toneladas.

As exportações do grupo estão projetadas em 1,3 milhão de toneladas de açúcar na safra 2004/05. "É crescente o número de contratos de exportação. O aumento das vendas no mercado externo dependerá da oportunidade de novos negócios", estima. Já a produção de álcool da empresa deve se situar em 850 milhões de litros, mesmo patamar do ano passado. "Exportamos 200 milhões de litros por ano", diz.

Na avaliação de Antonio de Pádua Rodrigues, consultor da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), a área a ser colhida será maior este ano, devido às expansões de algumas usinas e ao fato de plantios antigos estarem no ponto de maturação para a colheita. "A produtividade será menor, mas a safra será em volume superior à do ano passado", calcula o consultor.

Segundo ele, a cana cultivada entre os meses de janeiro e abril de 2003 sofreram mais com o período de seca registrado entre os meses de maio e novembro do ano passado. Já a cana cultivada a partir de agosto vivenciou uma condição climática mais favorável. Com isso, as expectativas são de uma produtividade média em patamares próximos às médias históricas, de 81 toneladas de cana por hectare. No ano passado, a produtividade média se situou no volume recorde de 85 toneladas de cana por hectare.

Estoques de passagem

Os estoques de passagem de uma safra para outra também devem se situar em volume recorde. As estimativas para os estoques de álcool apontam para um volume entre 1,2 bilhão e 1,5 bilhão de litros enquanto os estoques de açúcar devem se situar em 1 milhão de toneladas, volume suficiente para abastecer o mercado nacional por um mês.

O governo federal prorrogou por doze meses o prazo para o pagamento dos recursos destinados à estocagem de álcool. No ano passado foram liberados R$ 450 milhões, dos quais R$ 380 milhões foram destinados à região Centro-Sul do Brasil e R$ 70 milhões ao Nordeste. "A oferta representou apenas 25% da demanda nacional", avalia Pádua.

Mesmo com a postergação do prazo, muitos usineiros optaram por sanar seus débitos com a finalidade de fugir das taxas de mercado previstas na prorrogação. Para 2004 o governo vai liberar R$ 500 milhões para a estocagem. "O ideal é que a liberação ocorra até agosto", diz.


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