Embaixadora norte-americana no Brasil, Donna Hrinak, visita área de fruticultura irrigada no Vale do São Francisco.
Produtores de frutas do Vale do Submédio São Francisco esperam continuar alavancando as exportações de manga para o cobiçado mercado norte-americano. No ano passado, os embarques registraram crescimento de 23% sobre 2001, saltando de 6,5 milhões para 8 milhões de caixas (4 kg).
Na próxima segunda-feira, a embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, desembarca em Petrolina (774 km do Recife) para conhecer projetos de fruticultura irrigada na região e avaliar o incremento das relações comerciais com os exportadores.
Desde o início da década de 90, o Ministério da Agricultura do Brasil (Mapa) e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) desenvolvem o Programa de Monitoramento da Mosca da Fruta, uma exigência do mercado norte-americano para importar a manga nacional. Inspetores dos dois órgãos analisam desde a chegada da fruta no caminhão, passado pelo corte em laboratório, classificação, peso, tratamento hidrotérmico e embalagem. Depois de toda essa análise, as frutas recebem um Certificado Fitossanitário de Origem (CFO) e só assim pode seguir para o exigente mercado americano.
O engenheiro agrônomo da baiana Global Fruit, Antônio Fernando Feitosa, explica que procedimentos como o tratamento hidrotérmico aumentam em até 35% os custos de produção da manga. `Enquanto o custo de uma caixa de manga para o mercado europeu é de US$ 1,20; para os EUA oscila entre US$ 1,60 e US$ 1,90`, compara. No caso de frutas com até 426 gramas, o tratamento hidrotérmico consiste na imersão da manga durante 75 minutos, em tanques de águas à temperatura de 46,1ºC, para eliminar possíveis larvas de mosca da fruta.
Apesar das exigências fitossanitárias, os Estados Unidos oferecem melhor remuneração para a manga brasileira. Em 2002, enquanto a melhor cotação para a caixa de manga na Europa ficou em US$ 5,50; o preço nos Estados Unidos chegou a US$ 8,00, num gap de 45%. `Mesmo com o frete marítimo mais caro para os EUA, o mercado ainda é mais atrativo`, avalia Feitosa. O frete marítimo para os Estados Unidos varia de US$ 4.100 a US$ 4.300/contêiner, contra US$ 3.400 da Europa.
Em 2002, a Global Fruit ampliou em 50% as exportações de manga para os Estados Unidos, atingindo 550 mil caixas, contra 600 mil comercializadas no mercado europeu. Para este ano, a expectativa é ampliar os embarques para 800 mil caixas para os EUA e 1 milhão para o Velho Continente.
Para se ter uma idéia do aumento nas vendas de manga para os EUA, o número de packing house no Vale saltou de cinco para 19 nas três últimas safras. A agenda da embaixadora em Petrolina começa com um jantar reunindo os principais exportadores da região. Na terça-feira, Hrinak visita o Lago de Sobradinho, o Núcleo 5 do Projeto Senador Nilo Coelho e o packing house da América, uma das maiores exportadoras de manga do Vale, localizada em Juazeiro (BA).
Segundo a Assessoria de Imprensa da Embaixada Americana em Brasília, a embaixadora segue ainda na quarta-feira para o Recife, onde permanece até a quinta. Hrinak tem encontros agendados com o governador Jarbas Vasconcelos, o prefeito do Recife João Paulo, além de visitas à Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) e ao Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar).
A Assessoria desmentiu informações publicadas na imprensa de que a embaixadora viesse negociar a ampliação da cota nordestina de açúcar para os EUA. `A alteração de cotas é um processo complexo, fruto de discussões na Organização Mundial do Comércio (OMC) e na Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
Adriana Guarda - Recife