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Produtores de soja acumulam prejuízos de R$ 787 mi em MS

A cifra expressiva resulta da combinação entre o decréscimo de 15,93% no valor médio da saca e da quebra projetada em 10% da produção


Após uma safra desastrosa e em meio à desvalorização da saca da soja, os produtores de Mato Grosso do Sul acumulam perdas estimadas em R$ 787 milhões. A cifra expressiva resulta da combinação entre o decréscimo de 15,93% no valor médio da saca da oleaginosa de janeiro a abril e da quebra projetada em 10% da produção. O sojicultor terá menos grão para ofertar ao mercado e o produto será vendido, neste mês, por um valor menor ao que era comercializado em janeiro. O caso mais complicado é o dos produtores de São Gabriel do Oeste, que sofrerão uma perda estimada em 36% e podem acumular prejuízo de R$ 93 milhões.


A Famasul (Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul) projeta perda entre 10% e 15% da produção real da soja em relação à estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para a safra sul-mato-grossense neste ano. O instituto previa produção de 4,9 milhões de toneladas para a safra de verão de 2008. “Mas as muitas chuvas dificultaram o controle de doenças e a produção de soja deve ser bem menor”, afirma Eduardo Corrêa Riedel, vice-presidente da Famasul.

A situação mais crítica é a de São Gabriel do Oeste. De acordo com o IBGE, a expectativa de produção dos campos do município era de 47 sacas por hectare. “Com o problema da ferrugem, a produção de São Gabriel deve cair para 30 sacas”, estima o assessor técnico da Famasul, Lucas Galvan.

Projeções negativas

A Famasul ainda não fechou os números da colheita de soja, cuja safra de verão encerrou neste mês. No entanto, as projeções negativas, que já são possíveis delinear, resultam em números com uma quantidade quilométrica de algarismos. Considerando a expectativa de perda de 10%, a menor informada pela Famasul, o sojicultor do estado deixa de colher 490 mil toneladas de grão, o equivalente a 81,66 milhões de sacas. Assim, não poderá vender o correspondente a R$ 496,125 milhões. Este valor, que toma como base o preço médio da saca no início de abril (R$ 35,60), tende a ser maior, uma vez que a soja continua se desvalorizando no mercado.


Além das perdas resultantes da quebra de produção, o produtor de soja do estado terá prejuízos com a desvalorização do preço da oleaginosa. Conforme a cotação da Ceasa/MS (Central de Abastecimento de Mato Grosso do Sul), informada pela Famasul, o preço médio do produto era R$ 42,35 em 22 de janeiro, caindo para R$ 35,60 no início deste mês. A variação de -15,93% equivale à perda real de R$ 6,75 por saca. Com 10% a menos de produto do estimado para o ano, o sojicultor poderá oferecer ao mercado 4,41 milhões de toneladas, o que equivale a 73,5 milhões de sacas. Se fossem vendidas pelo preço de janeiro, e levando-se em conta a comercialização com êxito, a receita total, vinda da sojicultura, seria de R$ 3,112 bilhões. No valor de abril, e considerando as mesmas condições de vendas, a receita cai para R$ 2,616 bilhões. A perda contabilizada é de R$ 496,125 milhões.

Com os eventos negativos na safra e com a desvalorização do preço da soja no mercado, os produtores de Mato Grosso do Sul acumulam, assim, prejuízo projetado em R$ 787,43 milhões.

São Gabriel

O pedaço mais amargo deste bolo de prejuízos é oferecido aos produtores de São Gabriel do Oeste. Pela projeção inicial, os sojicultores do município colheriam 47 sacas do produto por hectare. O total de área plantada, conforme o IBGE, é de 116 mil hectares.

Como a doença da ferrugem avassalou os campos de soja de São Gabriel, a Famasul projeta redução da colheita para 30 sacas por hectare. Isso representa redução de 36% da produção. Apenas com o que deixarão de vender (118,32 mil toneladas), os produtores de São Gabriel têm prejuízo de R$ 70,2 milhões. Somam-se a isso as perdas resultantes da desvalorização da saca de soja de janeiro a abril. Com as diferenças entre os valores do produto nos dois períodos, os sojicultores do município contabilizam perdas de R$ 23,49 milhões. No total, o prejuízo acumulado é de R$ 93,69 milhões.
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