Produtores de soja dos EUA investem em MT


Agronegócio

Produtores de soja dos EUA investem em MT

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Agricultores norte-americanos, preocupados com a possibilidade de redução gradual dos subsídios agrícolas nos Estados Unidos, estão comprando terras baratas e de alto rendimento no Centro-Oeste brasileiro, na tentativa de se manterem competitivos.

A terra mais barata está localizada na região do cerrado, em Mato Grosso, o maior produtor de soja brasileiro, onde a área cultivada com soja está crescendo 10 por cento ao ano, restando ainda vastas áreas para serem cultivadas.

"O interesse está aumentando ao mesmo tempo em que existe a preocupação de que em algum momento os subsídios do governo norte-americano serão suspensos e as pessoas começaram a perceber que o Brasil está produzindo alguns produtos com um custo muito menor, incluindo a soja", disse Philip Warnken, da consultoria AgBrazil, baseada nos Estados Unidos.

Warnken planeja trazer mais um grupo de agricultores norte-americanos ao Brasil no dia 15 de março para mostrar-lhes oportunidades de investimento.

Uma missão da Associação de Soja Norte-Americana (ASA em inglês) visitou Mato Grosso recentemente para estudar o enorme potencial agrícola do Estado.

O governador do Estado, Blairo Maggi, considerado também o maior produtor individual de soja do planeta, disse à missão da ASA que somente 5 por cento da área potencial para a agricultura já está sendo utilizada.

Maggi disse que a meta é desenvolver 40 por cento da área, mas isso envolveria um grande investimento na melhoria de rede de transporte.

Outras empresas norte-americanas especializadas em fazer este tipo de divulgação também relataram o aumento do interesse por parte da agroindústria norte-americana.

"Mais e mais agricultores norte-americanos estão vindo", disse Irlandino dos Santos Júnior, diretor de marketing da Advance Trading Brasil, que tem escritório em Rio Verde, Goiás.

Especialista em risco na área de commodity, a Advance Trading, baseada em Bloomington, Estados Unidos, irá trazer um grupo de agricultores norte-americanos para o Brasil no dia 8 de março.

COMPRANDO BARATO - Alguns dos agricultores norte-americanos já se mudaram para Mato Grosso. Douglas Ferrell comprou 10 mil hectares de terra em uma área de floresta na região de Querência, no extremo norte de Mato Grosso, há três anos e vagarosamente está limpando o terreno para o plantio de soja.

"Neste ano abrimos 500 hectares e iremos abrir mais 500 hectares no próximo ano, e vamos plantando arroz enquanto o terreno continua irregular", diz Ferrel, que também planta milho em Goiás.

Ferrell, que começou a plantar no Brazil há 20 anos no estado de São Paulo, disse que o IBAMA permitiu que ele plantasse em 50 por cento da área do terreno.

"A terra é bem barata (no norte de Mato Grosso), mas a infra-estrutrura continua ruim", ele disse.

A terra pode ser comprada por 20 dólares o hectare em Querência, em comparação com os 240 dólares no oeste da Bahia, 300 dólares em Goiás e 1.215 dólares nos Estados Unidos.

Howard Wright, agricultor norte-americano de 45 anos de idade, originário da região central de Indiana, comprou mil hectares em Querência há três anos e meio, mas ainda não plantou soja na propriedade.

"Eu só limpei 15 por cento da área. Demorei 24 meses para ter a permissão do IBAMA e só para plantar em cerca de 20 por cento da terra", disse Wright, que também possui uma propriedade nos Estados Unidos.

"É um desafio... não sobrou nada no meio-oeste (norte-americano). Aqui as pessoas respeitam os agricultores, perdemos este respeito faz muito tempo nos Estados Unidos", disse Wright.

Warnken, da AgBrazil, ainda diz que apesar da falta de ajuda oficial, os agricultores norte-americanos possuem uma grande vantagem no Brasil se comparados com os agricultores locais.

"Eles (agricultores dos EUA) podem tomar dinheiro emprestado nos Estados Unidos por uma fração do que ele custa aqui no Brasil", diz Warnken, acrescentando que o empréstimo comercial para agricultores nos EUA custa menos de 5 por cento ao ano, enquanto no Brasil uma taxa de 5 por cento ao mês já pode ser considerada um grande negócio.


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