Produtos orgânicos têm cada vez mais fãs
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Produtos orgânicos têm cada vez mais fãs

Agricultura ecológica se expande no País e, em Santa Cruz,já virou curso de graduação
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A preocupação com uma alimentação mais saudável tem impulsionado o consumo de orgânicos em todo o Brasil. De acordo com o Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), somente no ano passado o mercado nacional do segmento faturou cerca de R$ 4 bilhões, 20% acima do registrado no ano anterior. Atualmente, o País é apontado pela Federação Internacional de Movimentos da Agricultura Orgânica (Ifoam) como líder do ramo na América Latina. Em um período de dez anos, entre 2007 e 2017, a área destinada aos alimentos orgânicos no território brasileiro cresceu mais de 204 mil hectares.

Em Santa Cruz a procura pelos orgânicos também está em alta – bom para a saúde do consumidor e para os agricultores que vendem seus produtos na Feirinha da Pasqualini e na Ecovale. O know-how do município quando o assunto é produção orgânica também se reflete em sala de aula: a Uegrs local é a primeira do Estado a oferecer curso de Agroecologia.

A feirinha da Pasqualini

Em Santa Cruz do Sul, o Núcleo de Agricultores Ecologistas (Naesc) atesta o incremento dos negócios no setor. Segundo a agricultora Ane Lore Schweickardt, coordenadora da entidade, hoje sete produtores vendem suas mercadorias na Feira da Pasqualini, na Praça Ernesto Frederico Söhnle, Bairro Santo Inácio. A feiras acontecem nas terças-feiras e aos sábados, das 7 horas ao meio-dia. “Os produtores que fazem parte do Núcleo estão identificados com aventais e placas personalizadas”, explica. Ane revela que, diante do movimento e aceitação dos consumidores, novas famílias produtoras demonstram interesse em ingressar no grupo.

“A procura tem aumentado muito nos últimos tempos. Por isso  sempre  diversificamos nossa produção com frutas, verduras e legumes. Uma das novidades é o incremento no cultivo orgânico de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs)”, destaca. Na metade de 2019, a feirinha completará seis anos. Ao longo dessa trajetória, segundo Ane, a prioridade sempre foi cultivar alimentos livres de contaminantes químicos. “O que vendemos é produzido com carinho e dedicação, resgatando valores antigos. Trabalhar com orgânicos é uma escolha pela qualidade de vida e queremos passar isso adiante, aos nossos clientes.”

Mudança de endereço

A transferência da feira orgânica da Pasqualini para a Praça Hainsi Gralow, na Rua Augusto Spengler, está confirmada desde o ano passado. Conforme o técnico agrícola Moisés Josiel Mora, da Secretaria de Agricultura, a obra já foi licitada e a assinatura do contrato deve acontecer nos próximos dias. “A empresa ganhadora terá três meses de prazo para concluir o prédio de alvenaria”, explica. Assim que o trabalho estiver terminado, segundo Mora, a mudança de endereço será instantânea. Pelo projeto, e seguindo pedido dos feirantes, a estrutura de 54 metros quadrados terá um boxe uniforme, para que os agricultores agroecológicos possam circular e ajudar um ao outro. Ainda está previsto um boxe para venda de produtos das agroindústrias familiares, área de circulação para carga e descarga e sanitários. “A nova feira será muito mais ampla e trará mais conforto para os produtores e para os clientes.”

Parceiros de longa data

A Cooperativa Regional de Agricultores Familiares Ecologistas (Ecovale) completa 19 anos em agosto com o propósito de promover o cultivo, transformação e venda de alimentos orgânicos. Filiados à União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Rio Grande do Sul (Unicafes), os grupos de agricultores associados recebem assessoria técnica do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (Capa). Hoje, são 61 associados agroecológicos em Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul, Rio Pardo, Vale do Sol e Candelária.

Conforme o assessor técnico Augusto Weber, a Ecovale trabalha com 60 produtos orgânicos agroindustrializados, que podem ser comprados diretamente na loja da Ecovale em Santa Cruz do Sul (Rua Thomaz Flores, 805, no Centro). Já as hortaliças e frutas são oferecidas na Feira da Ecovale, que é realizada todas as terças e sextas-feiras, das 14 horas às 18h30, nos fundos da loja. Outros clientes da cooperativa são o Programa de Alimentação Escolar (Pnae) e a empresa Mercur, que compra hortaliças, frutas e feijão para a alimentação dos funcionários.

Agroecologia na lavoura e na sala de aula

As aulas da primeira turma do bacharelado em Agroecologia da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), de Santa Cruz do Sul, começaram no dia 11 de março. No total, 25 graduandos participam dos encontros na sede da instituição todas as noites, nas quartas-feiras à tarde e nos sábados pela manhã. Ao longo da formação de nove semestres, também acontecerão aulas na sede da Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc) e em propriedades agroecológicas ligadas às entidades da Articulação em Agroecologia do Vale do Rio Pardo (AAVRP).

Conforme o coordenador da Efasc, João Paulo Reis Costa, o curso é fruto de uma parceria histórica entre a Uergs de Santa Cruz e a Associação Gaúcha Pró-Escolas Famílias Agrícolas (Agefa). Além disso, conta com o apoio de 20 entidades que compõem a AAVRP e que irão sediar diversos encontros com a turma ao longo da formação, que tem carga horária de 4.350 horas/aula, mais o estágio supervisionado de 300 horas. “É um curso totalmente adaptado à questão regional, tendo em vista que hoje a gente tem um crescimento grande da produção orgânica do Vale do Rio Pardo.”

Legalização amplia mercados aos produtores

Há dois anos o escritório municipal da Emater/RS-Ascar de Santa Cruz do Sul assessora um grupo de produtores rurais interessados na produção orgânica. São famílias do município e também de Passo do Sobrado, Venâncio Aires e Vale Verde que recebem suporte para adaptarem suas propriedades e buscarem novos caminhos de comercialização no segmento. “A conversão pode ser total ou parcial”, esclarece o agrônomo Marcelo Cassol. Apesar de o mercado ter espaço e potencial para a produção orgânica, o extensionista reforça que as famílias ainda esbarram em dificuldades, como custos.

O setor é regulado pela Lei dos Orgânicos (10.831/2003) e pelas instruções normativas 19 e 46, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Conforme Cassol, a legislação prevê diferentes caminhos para alcançar públicos distintos. A certificação pode ser obtida pela contratação de uma certificadora por auditoria ou por meio de um Sistema Participativo de Garantia (SPG), que deverá estar sob certificação de um Organismo Participativo de Avaliação da Qualidade Orgânica (Opac) – nesses casos, as possibilidades de mercado são amplas. Se o interesse for apenas pela venda institucional ou direta aos consumidores, os produtores podem formar uma Organização de Controle Social (OCS).


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