Projeto Territórios Digitais leva informatização à população rural
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Agronegócio

Projeto Territórios Digitais leva informatização à população rural

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O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) tem ampliado o acesso das populações rurais à informática e à internet. Até 2011, por meio do Projeto Territórios Digitais, foram implantadas 413 Casas Digitais. Destas, 122 estão em funcionamento e outras 291 estão prontas, mas aguardam instalação de antena de transmissão de internet para, em breve, entrar em atividade. Para este ano, o MDA planeja avançar ainda mais nesse projeto. Estão previstas 1.716 novas Casas Digitais a serem implantadas em parceria com o Ministério das Comunicações, além de outros acordos em preparação para implantação do projeto.


Por ser um espaço gratuito de gestão comunitária voluntária, a Casa Digital funciona como ambiente de troca e de intercâmbio de aprendizagem, crescimento e convivência virtual. Por meio dela, é possível oferecer ao usuário conhecimentos de informática, novas oportunidades de emprego, e proporciona a troca de experiência de vida nas comunidades rurais.

O conhecimento em informática é ensinado por meio de uma técnica pedagógica voltada para a realidade dos moradores do campo. De acordo com a coordenadora da equipe dos Territórios Digitais do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD), Rossana Moura, o objetivo é levar o acesso à informação e a comunicação às comunidades mais pobres do país. “Onde chegamos, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é muito baixo. A implantação da Casa Digital proporciona a essa população a possibilidade de informações básicas, como cidadania”, informa.

Uma Casa Digital padrão dispõe de um kit de equipamentos novos, doados pelo governo federal, com 11 computadores, uma impressora, um roteador wireless, um projetor multimídia, 11 cadeiras e mesas de computador. Outras parcerias também são possíveis, tais como doação de computadores pelos governos estaduais, municipais e, até mesmo, por organizações não governamentais. “Por meio da Casa Digital, nosso público começa a se reconhecer como cidadão, a ter possibilidade de acessar informações. Esse é o primeiro passo. Além das ferramentas tecnológicas, internet, editores de texto e planilhas, nossa capacitação inclui a convivência e o diálogo que esse público vai ter com o mundo virtual”, explica Rossana.


Capacitação e formação
A coordenadora informa que, para a comunidade usar melhor os equipamentos disponibilizados pelo projeto, após a instalação dos equipamentos é executada a formação em dois eixos: Gestão da Casa Digital e Informática Básica, respeitando suas particularidades e necessidades. O primeiro curso realizado é o de Gestor Comunitário, com carga de 80 horas/aula. São 11 dias de aula presencial na Casa Digital em turnos diferentes. Após a formação dos gestores, inicia-se um curso de capacitação em informática básica, com o objetivo de promover a apropriação tecnológica pelas comunidades rurais.

José Filho Araújo Santos, 18 anos, é um exemplo para o município de Monsenhor Tabosa (CE). Ele frequenta a Casa Digital desde os 11. Aprendeu tudo o que sabe de informática por meio do projeto e, hoje, tornou-se gestor educador de seu município. “Pude crescer com esse projeto, gerei novas perspectivas de vida, obtive maior conhecimento educacional e agora curso graduação em Serviço Social”, conta.

A incorporação da tecnologia ao cotidiano da região tem foco na educação e no desenvolvimento local. Há um Comitê Gestor de cada Casa Digital dentro de quase todos os Territórios da Cidadania. “A intenção é, ainda este ano, implantarmos Casas Digitais em todos os Territórios e podermos expandir para fora deles”, relata Rossana.


Parceiros
O programa tem como parceiros o Ministério das Comunicações, estados, municípios, universidades, sociedade civil e movimentos sociais. Aos parceiros comunitários cabe ceder o espaço adequado, seguro e em condições mínimas para recebimento do projeto, e a gestão comunitária do espaço, visando ao bom funcionamento do projeto em sua comunidade.

Aos parceiros do governo, cabe ceder os computadores, as mesas e as cadeiras para viabilizar o funcionamento da casa, providenciar ajuda de custo para o gestor-facilitador, prover conexão de internet para disponibilizar acesso livre e gratuito às comunidades nas quais funcionam as casas.

Ao MDA cabe a criação de estratégias e gestão do projeto, formação de gestores e facilitadores da comunidade, e viabilizar infraestrutura de equipamentos para implantação da casa. O uso de satélite para prover conexão é a forma mais viável para comunidades rurais e locais isolados e sem infraestrutura de redes. Há ainda as localidades em que é possível o uso de outras tecnologias, como a fibra óptica ou Wi-Max. No caso das Casas Digitais o acesso mais usado é a política pública do GESAC (Governo Eletrônico de Atendimento ao Cidadão), que usa antenas de conexão via satélite.


Projetos Educacionais e Culturais
Os projetos relacionados à educação, à cultura e às demais áreas são fomentados pelas casas, com parcerias locais. Um exemplo desse modelo é o estado do Ceará, onde há integração com o projeto do Incra Arte e Cultura da Reforma Agrária. “Os projetos culturais começam a ser trabalhados posteriormente à chegada da casa. Eles surgem a partir das necessidades da própria comunidade. Há comunidades que trabalham artesanato, música, teatro, mas esse não é o principal objetivo do projeto Territórios Digitais. Ele funciona como mola propulsora para outros projetos”, explica Rossana.

No MDA há uma parceria com o programa Arca das Letras, que promove acesso à leitura por meio da implantação de bibliotecas nas comunidades rurais brasileiras. O programa atende a famílias de agricultores, assentados da reforma agrária, pescadores, quilombolas, indígenas e populações ribeirinhas.

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