Propriedade dobrou lotação de gado por hectare
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Imagem: Divulgação
ILP

Propriedade dobrou lotação de gado por hectare

Entre as principais vantagens do sistema é a redução de custos
Por: -Aline Merladete

Com gestão financeira apurada e a implementação da Integração Lavoura-Pecuária bem planejada, em uma só tacada propriedade dobrou a lotação de gado por hectare e ainda ganhou mais uma fonte de renda no projeto com a consolidação de novas áreas de agricultura. Se tem uma coisa que o gestor Afonso Reginato Cardoso, hoje com 28 anos, sabe fazer bem é selecionar gado dentro de um lote. Zootecnista de formação, o gerente da fazenda São João – Nelore JJRC, localizada no município de Querência do Norte/PR, distante 650 km da capital Curitiba, desde os três anos ele era levado pela mãe Jaquelini Reginato Cardoso à propriedade da família, onde acompanhava o manejo de campo, pesagem, apartação de lotes dos bezerros criados na propriedade e que seguiriam para recria.

O tempo passou, a paixão herdada pelo campo só aumentou e ele tornou-se o braço direito na fazenda. Após se formar, retornou para a São João com o pensamento que precisava fazer mudanças para colocar em prática um desejo antigo de sua mãe, que era fazer a propriedade mais produtiva e rentável do que as outras da região e assim ser viável perante os demais negócios da família. “Na época a gestão era muito tradicional, tínhamos lotação baixa na pecuária e pastagens subutilizadas”, lembra Afonso.

Para começar a transformar a fazenda, o primeiro passo era utilizar toda sua área, mas para isso era preciso recuperar solos degradados, fruto de muitos anos de uso na pastagem da boiada. A forma mais rentável e eficiente para isso foi através da Integração Lavoura-Pecuária (ILP). “Foi bem complicado pôr o projeto em prática, pois geralmente o pecuarista tem um pouco de aversão a agricultura e na nossa situação lá, eu via que nós não tínhamos outro caminho a não ser fazer ILP, para viabilizar o negócio e conseguir reformar as áreas degradadas, a um custo mais acessível. Foram quase cinco anos para convencer a mãe que o plano daria certo, mas aos poucos o sistema foi por si só mostrando os resultados e as coisas foram fluindo”, destacou o gerente.

Implantação do Projeto

Para colocar o plano em prática na fazenda São João, começaram fazendo uma reserva de comida para os animais. Ao mesmo tempo, foram manejando o gado em sequestro para poder reformar as pastagens mais críticas. Após esse processo, o objetivo era tornar o negócio lucrativo. “Eu sugeri para começarmos a agricultura com o plantio de milho em pequenas áreas. Assim teríamos insumos para a suplementação do gado durante o processo de recuperação das áreas ruins. Nisso, eu já insisti na ideia de ampliação da ILP e há uns quatro anos, iniciamos realmente a fazer áreas maiores de soja e de milho consorciado com a braquiária”, diz o zootecnista.

Atualmente, nos períodos de junho a agosto, a fazenda faz áreas de integração. Neste tempo a agricultura abre espaço para a pecuária em pastagens temporárias. Para essas pastagens temporárias a fazenda utiliza as braquiárias da SOESP: Xaraés, que tem como característica elevada produção de matéria seca/rebrote e boa adaptação a solos mais úmidos e a BRS Piatã ideal para ser usada em sistemas integrados, possui alto enraizamento e boa produção de matéria seca na época de estiagem. Esporadicamente a fazenda também utiliza a variedade Ruziziensis, recomendada também para sistemas integrados.

Esse ano ainda implementaram o Capim BRS Tamani em consórcio com o milho, que se destaca por sua elevada qualidade e boa cobertura de solo. Todas essas variedades adquiridas da SOESP – Sementes Oeste Paulista, de Presidente Prudente/SP, empresa que utiliza a tecnologia Advanced a única semente blindada, tratada com fungicida e inseticida e alto nível de pureza, ideais para Integração Lavoura-Pecuária.

Segundo o gestor, eles conheceram a tecnologia da Soesp durante os encontros da Rede ILPF, no qual a empresa é integrante. “Eu gosto muito das sementes tratadas para o sistema de integração, pois elas garantem uma certa segurança no plantio. Por exemplo, a semente Advanced pode ficar mais exposta à intempérie, e acaba dando alta germinação”, acrescenta.

No consórcio com milho, a semente blindada com a tecnologia Advanced, não germina em qualquer condição igual acontece com a variedade nua (sem tratamento). Isso dá tempo de o cereal nascer, criar um certo vigor e depois que a semente do capim vai começar a brotar no meio dele, sem ter concorrência. “Isso possibilita um melhor manejo da forragem no meio do milho. Temos a confiança de que se vier um veranico ou algum estresse não perderemos o plantio da semente no meio das lavouras de grãos. Também economizamos com a aplicação de herbicidas nas linhas”, reforça Cardoso.

Colhendo resultados

Com o sistema de ILP muito bem consolidado, a Fazenda alcançou o objetivo principal do início do projeto: ter um rebanho Puro de Origem (PO) e fazer ciclo completo. “Há dez anos saímos de uma situação que só tínhamos vaca de cria, em pastagem semi degradada, para termos hoje em dia, um ciclo completo, com lotação média de 3,5 Unidade Animal (UA) por hectare. O motivo do sucesso de nossa propriedade é a experiência e vontade de ser mais produtivo e sustentável dos meus pais”, destacou o produtor.

Hoje o plantel da Nelore JJRC, conta com 400 cabeças e o objetivo agora é transformar todo o rebanho em PO para fazer comércio de tourinhos e matrizes na região. Além disso, a ideia é reduzir a idade de abate. Hoje os machos vão para o frigorífico com cerca de 20 a 22 meses com 19,5 arrobas, mas a meta é baixar essa média para 18 a 20 meses com 21 arrobas. “A ILP agregou sustentabilidade ao nosso negócio, tanto no sentido da produção quanto no âmbito financeiro. Além de aumentar nossa produtividade nas mesmas áreas, nos tornando assim mais eficientes, também passamos a ter novas fontes de renda com a venda de animais de genética superior, e ainda a soja e o milho, não ficando dependendo apenas da pecuária”, exemplifica o zootecnista.

Vantagens da Integração

Hoje com a integração entre as principais vantagens do sistema no caso da São João é a redução de custos. Segundo Afonso, nos últimos quatro anos a reforma de pastagem na propriedade, por exemplo, teve custo zero, pois a agricultura que está custeando essa reforma.

A ILP na fazenda São João comprovou-se ser extremamente rentável e pode ser viável também a muitos outros produtores. Uma dica importante para os pecuaristas que desejam implantar o sistema, mas não têm vocação para a agricultura, a alternativa é buscar parcerias com agricultores ou fazer arrendamento da área.

No caso do zootecnista, para implantar o sistema na fazenda, ele teve que pesquisar, e estudar, para obter conhecimento adequado sobre as lavouras. “Se o pecuarista não se sente seguro em fazer agricultura, ou não tem conhecimento para fazer, eu acredito que seja viável um arrendamento, ele fazer uma parceria com o arrendatário de entrar na área reformada com capim, fazer uma rotação dentro. Tem muita oportunidade para isso”, finaliza o profissional.

informaçõesa assessoria.


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