Proteção de preço é requisito para êxito com biodiesel
A viabilidade do biodiesel no país é uma questão que envolve algumas variáveis
A viabilidade do biodiesel para quem o produz no Brasil é uma questão que envolve algumas variáveis já em discussão pelo mercado. Entre elas, qual a melhor matéria-prima, em que região produzir e como conciliar esse fator com incentivos tributários e com a logística. Mas, até então não se discutiu a fundo outra variável: a oscilação dos preços do óleo de soja, que só no primeiro trimestre do ano foi de 8,2%. O uso de ferramentas para travar preços, tanto das matérias-primas quanto do produto final é o ingrediente indispensável para o sucesso, diz o consultor de administração de risco da FCStone do Brasil, Gonzalo Terracini.
Na semana passada, a Brasil Ecodiesel divulgou o balanço trimestral no qual identificou redução da margem de lucro bruta de 9,9% para 7,3%, grande parte por causa das oscilações do preço do óleo de soja no período.
A seguir, alguns trechos da entrevista concedida por Gonzalo Terracini:
Gazeta Mercantil - Quais os riscos de se investir na produção do biodiesel?
Gonzalo Terracini - O principal risco está na volatilidade de preço da matéria-prima, no caso, o óleo de soja, do produto final, o biodiesel e também as oscilações do preço do etanol, que compõem a mistura.
Gazeta Mercantil - Como minimizar esses riscos?
Por meio dos instrumentos de gerenciamento de risco, como hedge. Gazeta Mercantil - Quais os custos de se adotar esse tipo de ferramenta?
Vai depender do prazo. Mas, considerando um prazo de quatro a seis meses, esse custo é de 5% sobre o valor do produto.
Gazeta Mercantil - Mas, o uso desses instrumentos para o biodiesel valem para o Brasil?
Outros países já começaram a usar essa ferramenta para o biodiesel , via contratos futuros de diesel. Os dois produtos têm correlação bem grande. A principal bolsa, com maior liquidez, é a Bolsa de Nymex, em Nova York. Mas, no caso particular do Brasil, o produto tem como principal cliente o mercado interno, no caso, a Petrobras. Por isso, não teria correlação perfeita com os preços do óleo diesel na Bolsa de Nymex. O instrumento de hedge para o biodiesel funcionaria se o produto final fosse destinado à exportação.
Gazeta Mercantil - E que tipo de risco o mercado brasileiro sofre com a presença da Petrobras como único comprador?
De alguma forma, a Petrobras está absorvendo parte da volatilidade do mercado. E isso é bom, mas deixa de ser um mercado totalmente transparente.
Gazeta Mercantil - O uso dessas ferramentas traz que nível de redução de risco?
Conseguiria minimizar risco com o prêmio, ou seja, na diferença entre o preço de mercado interno e o preço na bolsa. Se compra óleo de soja a R$ 700 no Brasil, vende na bolsa a 1.000 reais, seu prêmio (e seu risco) é de 300 reais.
Gazeta Mercantil - Em relação ao riscos tributários, pode acontecer com o biodiesel o que ocorreu com o óleo de soja, principalmente, com a concorrência da Argentina?
Provavelmente, com a premissa de que o óleo de soja argentino é mais competitivo que o brasileiro, o biodiesel também será. Mas, o que acontece é que a Argentina tem mercado interno pequeno, então, vai destinar mais à exportação. E o Brasil vai destinar o produto ao mercado interno, que é um mercado enorme.