Publicação internacional destaca o projeto Feira Segura realizado
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Imagem: Divulgação
Feira Segura

Publicação internacional destaca o projeto Feira Segura realizado

Já o feirante Oscar Soares, que trabalha de terça a domingo com a venda de queijos e doces nas feiras de Goiânia

A Associação Norte-Americana de Funcionários dos Transportes das Cidades (Nacto, da sigla em inglês), que reúne as agências de trânsito e transporte das 84 maiores cidades da América do Norte, publicou no dia 21 de maio um documento apontando iniciativas e soluções para a melhoria das cidades, durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). O projeto piloto "Feira Segura" para hortifrutigranjeiros, desenvolvido em Goiás, foi a única iniciativa brasileira citada no documento.

A ação desenvolvida no Estado pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e das Centrais de Abastecimento de Goiás (Ceasa Goiás), em parceria com Sistema Faeg Senar e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), aparece no documento intitulado "Streets for Pandemic Response and Recovery" (Ruas para resposta e recuperação da pandemia, na tradução livre) junto a outras iniciativas de todo o mundo que surgem como exemplos de ações para as cidades, no uso das ruas, frente ao enfrentamento da doença e para o pós-pandemia.

O documento foi elaborado pela iniciativa conjunta da Nacto com seus parceiros. A ideia é prover cidades ao redor do mundo com estratégias de sucesso, coletadas por diversos países e de rápidas respostas, que podem ser usadas para redesenhar e adaptar ruas para novos usos, durante a crise da Covid-19 e na sua recuperação. "Agências de transporte e trânsito por todo o mundo estão liderando a resposta com ações rápidas, fortes e criativas para remodelar suas ruas e os usos dos principais recursos existentes de formas diferentes", afirmou a membro do Nacto e diretora da Bloomberg Associates, Janette Sadik-Khan, no site da entidade. "O uso adaptado das ruas pode nortear a resposta global e a recuperação da crise, mantendo as pessoas seguras e as cidades unidas e se movendo."

Segundo o documento, face às alterações promovidas pela pandemia em diversos aspectos da vida urbana, autoridades municipais, estaduais e federais, além de sociedade organizada, implementaram rapidamente novas ferramentas de design e gerenciamento de ruas para manter a continuidade de serviços essenciais, sobretudo ligados ao abastecimento de insumos de saúde, alimentação e segurança, mantendo seguros seus trabalhadores e a população em geral. A publicação compila essas táticas e práticas emergentes em sua aplicação a diferentes fases da resposta pandêmica local.

O projeto piloto "Feira Segura" é a única iniciativa brasileira elencada no documento até o momento (a publicação será revisada constantemente para inclusão de novas iniciativas). O modelo proposto visa estimular a realização de feiras livres em todo o País seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar o contágio por coronavírus. Além disso, a proposta é ajudar os produtores rurais que estão com dificuldades para vender a produção devido à pandemia da Covid-19 e para que os alimentos cheguem mais facilmente à mesa dos consumidores.

O modelo lista orientações e medidas de proteção, tanto ao feirante quanto ao consumidor, como preferência por produtos previamente embalados, demarcação para distanciamento das barracas, higienização constante das mãos e utilização de máscaras. Há ainda a possibilidade de instalação de pontos drive thru, onde os consumidores retiram os produtos já encomendados com os produtores e fazem o pagamento sem precisar sair do carro. A Seapa elaborou um Manual de Orientação e Boas Práticas contra o Coronavírus (Covid-19), no qual constam todas as informações necessárias para serem adotadas nas feiras livres de hortifrutigranjeiros em Goiás. Os interessados podem acessar o material pelo site: www.agricultura.go.gov.br.

Conforme avalia o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Carlos de Souza Lima Neto, a inclusão do modelo lançado em Goiás no documento mostra a importância da adoção das boas práticas e de como podem fazer a diferença no combate ao novo coronavírus. "O modelo já era um sucesso por ser estimulado em todo o País pela CNA, junto aos produtores rurais e feirantes, mas agora, com a inclusão entre os exemplos para o mundo todo só reforça que o trabalho do Governo de Goiás e dos seus parceiros é estruturado na busca da melhoria da vida do cidadão. Iniciativas com essa repercussão podem contribuir para evitar o contágio e para salvar vidas", destaca o secretário.

Para Antônio Carlos, o modelo piloto de Goiás foi aprovado pelo governador Ronaldo Caiado por entender que as feiras são de extrema necessidade para o abastecimento de alimentos nas cidades. "Junto ao Sistema Faeg Senar e à CNA, elaboramos orientações com as boas práticas da OMS que podem garantir o alimento na mesa e ainda a destinação dessa produção que sustenta famílias por todo o Estado, em segurança. É claro que precisamos da colaboração dos feirantes e da população para que a comercialização ocorra corretamente, mas no geral todos estão colaborando por entenderem a gravidade da situação e a necessidade dos cuidados", analisa.

Aprovação

Os feirantes reconheceram a importância das medidas de segurança e de distanciamento social, além da necessidade de se adequar às medidas de proteção na comercialização dos alimentos. De acordo com Neide Pereira Gomes, que atua há 28 anos como feirante de frutas e verduras nas feiras do Crimeia Oeste, Cepal Jardim América e Balneário Meia Ponte, em Goiânia, as orientações estão bem claras e são necessárias. "Entendemos quando houve a paralisação das atividades e fiquei muito feliz com o retorno, pois minha renda depende da comercialização desses alimentos. Estamos adotando todas as medidas de segurança no nosso espaço para a proteção de todos", informa.

Já o feirante Oscar Soares, que trabalha de terça a domingo com a venda de queijos e doces nas feiras de Goiânia, em bairros como Morada do Sol e Criméia Oeste, acredita nas medidas tomadas, como o uso da fita de marcação, álcool em gel e máscara, e no dever dos feirantes em também conscientizar os clientes visitantes das barracas. "Trabalho há 28 anos como feirante e antes mesmo de receber o manual, já estava pensando em como orientar o consumidor para resguardar a minha saúde e a dos clientes. As orientações que chegaram por parte do governo foram muito claras e tento seguir todas e orientar o consumidor no distanciamento, no manuseio do dinheiro e na prevenção. Sabemos das complicações da doença e precisamos que cada um faça a sua parte", salienta.

Soluções pelo mundo

Junto da iniciativa lançada em Goiás, aparecem ainda soluções como a conversão de faixas em calçadas expandidas ou ciclovias; criação de ruas exclusivas para pedestres ou ruas lentas compartilhadas para a promoção do distanciamento físico; e espaços em calçadas ou na rua para café e refeições ao ar livre. Também aparecem iniciativas para marcação de espaços para filas quanto ao distanciamento para se entrar em comércios ou no transporte coletivo; modelos de zonas de entrega e delivery; espaços de atividades ao ar livre e de comunicação.

Além do Brasil, foram elencadas soluções da Albânia (Tirana), Argentina (Buenos Aires), Bélgica (Bruxelas), França (Paris), Estados Unidos (Alexandria, Brookline, Cincinati, Dallas, Miami, Minneapolis, Oakland, Raleigh, Seatle e Tampa), Itália (Milão), Lituânia (Vilnus), Myanmar (Kalaw), Nova Zelândia (Auckland e Dunedin) e Reino Unido (Londres). A ideia é que governos municipais, estaduais e federais se inspirem nessas iniciativas e compartilhem outras para ajuda mútua.

O documento completo está disponível gratuitamente no link: https://nacto.org/wp-content/uploads/2020/05/NACTO_Streets-for-Pandemic-Response-and-Recovery_2020-05-21.pdf

 


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