O crédito para custeio das lavouras de soja e milho continua sob pressão no Brasil, mesmo após uma pequena redução dos atrasos em agosto. Segundo Marcos Rubin, CEO e fundador da Veeries, dados do Banco Central processados pela consultoria mostram que 20% dos recursos dessas operações estavam em atraso ou inadimplentes naquele mês, o equivalente a R$ 15 bilhões.
Desse total, R$ 5 bilhões correspondiam a parcelas atrasadas e R$ 10 bilhões já estavam inadimplentes. O indicador havia alcançado 21% em julho e recuou para 20% em agosto, mas permanece elevado diante da trajetória observada nas últimas safras. Os dados não incluem financiamentos para investimentos.
Os maiores percentuais aparecem no Maranhão, com 46,4% do crédito nessas condições, e no Tocantins, com 42,1%. Mato Grosso do Sul registra 27% e Goiás, 25,5%. No Rio Grande do Sul, a taxa chega a 17,9%, seguida por Mato Grosso, com 17,2%, e Bahia, com 15,2%. O Paraná apresenta índice de 9,4%, abaixo de dois dígitos.
Rubin aponta que parte dos produtores adiou pagamentos enquanto aguardava a Medida Provisória 1.376 e, posteriormente, o resultado das eleições. A decisão de preservar caixa diante da incerteza sobre a renovação de linhas de financiamento também teria contribuído para os atrasos recentes, embora não explique todo o problema.
Na média nacional, a dívida equivale ao valor de quatro a cinco sacas de soja por hectare. A avaliação da consultoria é de que uma melhora nas cotações da soja não seria suficiente para resolver a situação dos produtores mais endividados. Para 2027, o risco de crédito é considerado maior nas regiões de fronteira agrícola e entre produtores de médio porte, que apresentam endividamento superior ao dos grandes produtores.