Ramulária compromete a formação de maçãs no algodoeiro
8. Florescimento é fase crítica para manejo da ramulária
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O início do florescimento do algodoeiro é um período decisivo para o controle da ramulária, doença fúngica que pode comprometer a produtividade e a qualidade da fibra. A combinação de temperaturas favoráveis, umidade elevada e formação de um dossel mais fechado aumenta o risco de desenvolvimento da doença, exigindo monitoramento das lavouras e planejamento das aplicações de Fungicidas.
Causada pelo fungo Ramulariopsis pseudoglycines, anteriormente denominado Ramularia areola, a ramulária afeta principalmente as folhas do algodoeiro. Em situações de maior severidade, pode provocar desfolha antecipada, reduzindo a capacidade da planta de realizar fotossíntese justamente durante a formação e o desenvolvimento das maçãs, estruturas que darão origem aos capulhos. A doença merece atenção especial em regiões produtoras como Mato Grosso e Bahia, onde condições de alta umidade, ocorrência frequente de orvalho e temperaturas amenas podem favorecer sua evolução. Áreas com cultivo sucessivo de algodão e presença de restos culturais infectados também apresentam maior risco.
Entre as condições ambientais associadas ao desenvolvimento da ramulária estão a umidade relativa do ar acima de 80% e temperaturas entre 20 °C e 28 °C. Períodos prolongados de molhamento das folhas, provocados por orvalho, neblina, chuvas leves ou irrigação inadequada, também contribuem para a ocorrência da doença.
Os primeiros sintomas aparecem como pequenas manchas angulares, geralmente de coloração verde-clara ou amarelada, delimitadas pelas nervuras das folhas. Com o avanço da infecção, essas lesões tornam-se castanhas e podem apresentar áreas de tecido morto, frequentemente acompanhadas de um halo amarelado.
Em condições de elevada umidade, é possível observar um crescimento esbranquiçado do fungo na face inferior das folhas. Quando a doença avança, as folhas afetadas amarelecem e caem, inicialmente nos terços médio e inferior da planta, podendo atingir posteriormente a parte superior.
A perda antecipada das folhas reduz a disponibilidade de energia para o desenvolvimento dos frutos. Em ataques severos, podem ocorrer queda de maçãs, formação inadequada de capulhos e alterações em características da fibra, como comprimento e resistência.
A desfolha irregular também pode provocar diferenças no ritmo de maturação das plantas, dificultando o manejo de desfolhantes e as operações de colheita.
A intensidade dos prejuízos varia conforme a suscetibilidade da cultivar, as condições climáticas, a severidade da doença e as estratégias de manejo adotadas. Não há um percentual único de perda que possa ser aplicado a todas as lavouras.
Momento da aplicação depende do risco de infecção
O início do controle da ramulária não deve ser determinado apenas por uma data fixa ou pela presença de sintomas avançados. A decisão precisa considerar o estágio de desenvolvimento do algodoeiro, o histórico de ocorrência da doença, as condições meteorológicas e a resistência ou tolerância da cultivar utilizada.
O período entre o pré-florescimento e o aparecimento das primeiras flores exige atenção especial, porque a planta entra em uma fase de elevada demanda fotossintética para sustentar a formação das maçãs.
Em áreas com histórico de alta severidade, cultivares mais suscetíveis e previsão de condições úmidas, o planejamento da proteção foliar pode começar próximo ao fechamento das entrelinhas e ao início da formação dos botões florais.
Quando o algodoeiro entra em florescimento com presença de sintomas iniciais nas folhas inferiores e condições climáticas favoráveis à doença, a necessidade de intervenção deve ser avaliada com prioridade.
Por outro lado, em ambientes mais secos e sem histórico expressivo de ramulária, o avanço da doença pode ser mais lento. Mesmo nessas condições, o monitoramento permanece necessário para identificar alterações no risco de infecção.
As inspeções devem abranger diferentes pontos do talhão, com atenção às folhas dos terços inferior e médio, onde os sintomas podem aparecer inicialmente. O registro da quantidade de plantas afetadas, da intensidade das lesões e das condições climáticas ajuda a acompanhar a evolução da doença.
O monitoramento pode ser realizado semanalmente, com redução do intervalo entre avaliações quando houver condições especialmente favoráveis à infecção.
A aplicação de fungicidas é uma das ferramentas utilizadas para o controle da ramulária, mas sua eficiência depende do posicionamento adequado e da integração com outras práticas de manejo.
Entre os grupos químicos empregados estão triazóis, estrobilurinas e carboxamidas, conforme os produtos registrados para a cultura e a doença. A alternância de mecanismos de ação e o uso tecnicamente orientado de misturas contribuem para reduzir a pressão de seleção de populações resistentes do fungo.
A repetição contínua dos mesmos ingredientes ativos pode comprometer a eficiência do controle ao longo das safras. Por isso, o planejamento deve considerar o histórico dos produtos utilizados e as recomendações técnicas para o manejo da resistência.
Outro fator importante é a qualidade da pulverização. O ajuste do volume de calda, dos bicos, da pressão e da velocidade de aplicação deve proporcionar cobertura adequada das folhas, especialmente à medida que o algodoeiro cresce e o dossel se torna mais fechado.
Os intervalos entre aplicações dependem da pressão da doença, da persistência dos produtos e das condições climáticas. Em períodos chuvosos, pode haver necessidade de reavaliar esses intervalos, sempre dentro das orientações de bula e do receituário agronômico.
Além do controle químico, medidas preventivas ajudam a reduzir as condições favoráveis ao desenvolvimento da ramulária. A rotação de culturas, a eliminação de plantas voluntárias de algodão e a escolha de cultivares com melhores níveis de tolerância são práticas que devem ser consideradas desde o planejamento da safra.
A densidade de semeadura também influencia o risco de infecção. Lavouras excessivamente adensadas podem apresentar menor circulação de ar e maior permanência de umidade entre as folhas, favorecendo o desenvolvimento do fungo.
Em áreas irrigadas, o manejo da água precisa evitar períodos prolongados de molhamento foliar, especialmente durante a noite, quando a secagem das folhas pode ser mais lenta.
O acompanhamento da ramulária deve ainda ser integrado ao manejo de outras doenças e pragas do algodoeiro. Essa organização permite planejar as operações fitossanitárias conforme as necessidades identificadas em campo, evitando intervenções desnecessárias.
A utilização de fungicidas deve seguir rigorosamente as recomendações de rótulo e bula, com produtos registrados e receituário agronômico emitido por profissional habilitado.
O controle da ramulária durante o florescimento depende, portanto, da identificação precoce dos sintomas e da avaliação conjunta das condições climáticas, do histórico da área e da suscetibilidade das plantas. O planejamento das intervenções, associado às práticas preventivas e ao monitoramento contínuo, contribui para reduzir a desfolha antecipada e preservar o potencial produtivo e a qualidade da fibra do algodão.