Pêssego

Redução da colheita do pêssego é estimada em 40 toneladas

Em razão da falta de frio, produção não deverá passar das 160 toneladas
Por: -Nereida Vergara
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 Tradicional na zona Sul de Porto Alegre, o cultivo do pêssego de mesa foi prejudicado neste ano em razão da falta de frio. Em 2016, os produtores da Capital colheram 200 toneladas das variedades branca e amarela, consumidas essencialmente pelo mercado local. Os preços variaram entre R$ 3,50 e R$ 5,50 o quilo. Neste ano, avalia o assistente técnico do escritório municipal da Emater, Luis Paulo Vieira Ramos, a produção não deverá passar das 160 toneladas nos 20 hectares de pomares mantidos por oito produtores. As variedades da Capital necessitam de 150 a 250 horas de temperaturas abaixo de 10 graus Celsius, mas no inverno deste ano ocorreram menos de 100 horas.

A colheita já começou, mas se intensifica em novembro. “Algumas variedades realmente floresceram mais cedo”, constata Ramos. “Isso atrapalhou o desenvolvimento delas e exigiu mais cuidados no manejo.” O assistente técnico ressalta que, além da ausência do frio interferir no desenvolvimento das frutas, as temperaturas altas facilitam a proliferação de insetos, o que requer atenção redobrada do produtor com a proteção do pomar. Não é só o pêssego que sofreu com a temperatura. “Temos aqui na zona Sul (de Porto Alegre) também um pequeno cultivo de pera que será muito prejudicado pelo inverno atípico”, acrescenta Ramos.

A maior região produtora de pêssegos do Rio Grande do Sul é a Zona Sul do Estado, com destaque para o município de Pelotas. Neste caso, no entanto, as perdas serão menores e não devem passar de 5%, segundo o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, José Francisco Martins. “Na nossa região, a fruta é predominantemente voltada para a indústria de doces. Por isso, as variedades plantadas são mais resistentes aos caprichos do tempo”, explica.

No total, 600 produtores cultivam pêssegos na região de Pelotas, garantindo uma colheita média de 45 mil a 50 mil toneladas por ano. “O produtor pode ter certa dificuldade para obter um preço melhor, pois a indústria sinalizou que o estoque está alto e as compras devem ser menores”, analisa Martins. Em 2016, o preço do quilo oscilou entre R$ 1 e R$ 1,50.

Preocupação entre as macieiras

Eliseu Zardo possui um pomar de 50 hectares plantado com maçãs das variedades Fuji e Gala em Vacaria. Neste ano, colheu 2 mil toneladas, com média de 40 toneladas por hectare. Na safra de 2018, que começa a ser colhida em março, o desempenho não será tão bom, prevê Zardo, que é presidente da Associação Gaúcha de Produtores de Maçã (Agapomi). “É cedo para falar em números, mas estimamos uma perda de pelo menos 30% na colheita”, admite.

Segundo o dirigente, a média histórica de frio na região de Vacaria é de 740 horas por ano. Em 2016, a região registrou 1.000 horas. Neste ano, foram 490 horas. “O ano passado, quando colhemos no Estado 506 mil toneladas de maçã, foi excepcional, fora da curva mesmo. Por isso também a diferença em relação a este ano”, acrescenta.

A Agapomi contabiliza 526 produtores de maçãs no Rio Grande do Sul. Vacaria concentra a maior parte do volume, com uma fatia de 50% a 60% do total. “Nós temos a maior produção, mas o cultivo está espalhado no Estado e é feito por pequenos agricultores em municípios como Caxias do Sul, Antônio Prado e Bom Jesus, por exemplo”, descreve Zardo.

Como o volume não será o mesmo de 2016, os produtores esperam uma remuneração um pouco melhor.

“Na safra passada, devido à quantidade, tivemos preços entre R$ 1 e R$ 1,50 (pelo quilo), em razão da grande oferta”, lembra Zardo, que observa uma certa capacidade de adaptação de quem vive da agricultura em relação às oscilações do clima. “Nem sempre temos grandes safras, os invernos bons também tem seus problemas, como as geadas intensa. Mas sempre colhemos. É do jogo”, reflete.

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