Relatório do USDA pressiona mercado do milho

Agronegócio

Relatório do USDA pressiona mercado do milho

“A notícia é negativa para as cotações, mas, de uma forma geral, não deve prejudicar o mercado de milho", disse Matt Pierce, da Futures International LLC
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Chicago, Illinois - O primeiro relatório de área plantada do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), anunciado nesta semana, mostrou que os produtores norte-americanos plantaram 35,2 milhões de hectares de milho neste ano, um cenário negativo para o mercado do cereal. Na primeira estimativa de intenção de plantio, divulgada em março, a projeção do USDA era de 34,4 milhões de hectares, e os analistas esperavam que essa estimativa fosse revisada para 34 milhões.

Matt Pierce, da Futures International LLC, considera que o relatório foi baixista para o milho, altista para a soja e neutro para o trigo. “É irreal que tenhamos ‘encontrado’ mais 1,2 milhão de hectares de milho. A notícia é negativa para as cotações, mas, de uma forma geral, não deve prejudicar o mercado de milho.”

Para o mercado da soja, os números divulgados pelo USDA foram mais positivos; indicam que foram cultivados 31,3 milhões de hectares nesta safra. Há três meses, a previsão era que o plantio recuasse a 30,7 milhões e o mercado esperava que o número fosse reajustado para 31,7 milhões de hectares. Já a estimativa de plantio de trigo avançou para 24,2 millhões de hectares, contra 23,7 milhões em março.

Gavin Maguire, diretor da EHedger, afirma que os números do USDA deixaram um tom baixista nos mercados de grãos em geral. “A estimativa de plantio de milho contrariou as expectativas, que eram de queda de 400 a 800 mil hectares na área cultivada por causa da primavera úmida no Meio-Oeste. Mas, claramente, os produtores americanos persistiram no milho porque os preços mantêm-se atrativos, e acabaram plantando uma das maiores áreas da história do país.”

“No caso da soja, como os preços estão firmes desde a primavera, a área maior não é surpresa. Mas o mercado estava antecipando um crescimento maior; imaginavam que o clima úmido durante o plantio convertesse alguns hectares de milho em soja”, diz Maguire. A estimativa atual do USDA para o plantio da oleaginosa é 600 mil hectares maior que a calculada em março e 700 mil hectares superior ao ano passado. “Por outro lado, tem bastante espaço para que os preços dos contratos da safra nova recuem ainda mais, pois a estimativa de estoques físicos apontou um volume maior que o esperado”, completa Maguire.

Estoques físicos

Junto com as projeções de área, o USDA anunciou suas estimativas de estoques físicos. O relatório mostrou que em 1° de junho os EUA tinham 16,2 milhões de toneladas de soja armazenadas. O mercado esperava 15,9 milhões. Para o milho, o USDA indicou estoques de 108,4 milhões de toneladas, contra expectiva de 106,4 milhões. Para o trigo, eram esperadas 18,2 milhões, e o relatório apontou estoques de 18,1 milhões de toneladas.

“O mercado estava antecipando uma redução no volume de soja e milho armazenados por causa da demanda firme. Entretanto, os dois números vieram acima do esperado, sugerindo que o consumo pode não estar tão aquecido quanto se imaginava”, afirma Maguire.

“De maneira geral, a combinação de estoques mais folgados e área maior tem potencial para pressionar os mercados de soja e milho a partir de agora, principalmente se o clima continuar favorável”, considera. “O contrato dezembro/09 do milho perdeu mais de US$ 0,70 desde o início de junho, pois já especulava-se que a área poderia ser maior que o esperado. Então, ainda é uma grande incógnita até onde pode ir o impacto negativo do relatório do USDA sobre os preços do milho”, afirma. (www.agriculture.com)


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