Retrospectiva 2008: Perspectivas da Fruticultura Brasileira
O Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial de produção de frutas, com uma produção de aproximadamente 40 milhões de toneladas anuais
O Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial de produção de frutas, com uma produção de aproximadamente 40 milhões de toneladas anuais e uma área plantada em torno de 2,5 milhões de hectares.
As frutas são produzidas em todas as regiões do Brasil, com uma especialização regional em função do clima, já que regiões como Nordeste e Norte têm maior importância na produção de frutas de clima tropical, como o abacaxi, banana, coco, cacau, caju, mamão, melão e o maracujá, enquanto as regiões Sudeste e Sul destacam-se na produção de frutas de clima temperado e subtropical, como citros, goiaba, figo, pêra, pêssego, maçã e uva. Neste aspecto, porém, a região Nordeste tem ampliado grandemente a produção de frutas temperadas e subtropicais, como de uva, laranja, limão e goiaba, no sistema de Produção Integrada. No Centro-Oeste, especializado na produção de grãos, a produção de frutas ainda é incipiente.
A fruticultura é considerada uma das atividades mais dinâmicas da economia brasileira, apresentando uma evolução contínua. Atende o mercado interno e vem ganhando espaço no mercado internacional, com frutas tropicais, subtropicais e de clima temperado, aumentando o volume das exportações, o número de empresas exportadoras, as variedades de frutas exportadas e os países de destino das exportações.
Esta atividade econômica contribui de quatro formas para o crescimento brasileiro:
1. É fonte de alimentação, sendo esta uma questão de segurança nacional;
2. É geradora de emprego para a população, pois cada hectare plantado com fruticultura gera em média dois empregos diretos. Atualmente o país tem em torno de 2,5 milhões de hectares plantados com frutas, o que proporcionaria em torno de 5 milhões de empregos diretos nas propriedades envolvidas. Além disto, existe a geração de empregos indiretos, gerados antes e depois das colheitas;
3. É geradora de divisas, através das exportações de suco de laranja e de frutas frescas e secas;
4. O valor da produção da fruticultura é superior a 10 bilhões de reais anuais.
Em função de sua importância, o setor apresenta importantes conquistas, como a criação das Câmaras Setoriais da Fruticultura (em 2003) e da Citricultura (em 2004), o avanço da Produção Integrada de Frutas (PIF) no país, a instalação da biofábrica Moscamed Brasil em Juazeiro (Bahia), a expansão do seguro rural para importantes fruteiras, a inclusão do setor de fruticultura no Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal, as campanhas de promoção de nossas frutas no exterior sob uma única marca e a abertura, embora lenta, de novos mercados para o escoamento da produção nacional de frutas.
Para tornar este cenário cada vez mais positivo o IBRAF (Instituto Brasileiro de Frutas) coordena desde 1998, em conjunto com a APEX-Brasil (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos) e as associações do setor, o Projeto de Promoção das Exportações de Frutas Brasileiras e Derivados – Brazilian Fruit, que visa promover as frutas e seus derivados por meio de ações estratégicas direcionadas à todos os públicos envolvidos, desde o comprador até o consumidor final.
Porém, os desafios ainda são imensos, dentre os quais podem ser destacados a ampliação dos protocolos governamentais e privados de produção, a superação das barreiras fitossanitárias e tarifárias impostas pelos principais mercados importadores, a ampliação da infra-estrutura de transporte, armazenamento e de análise de resíduos de defensivos em frutas, o estabelecimento de legislação de segurança alimentar aceita pelos principais países importadores, a ampliação do seguro rural para inclusão de outras frutas de importância econômica (abacaxi, manga, mamão, melancia e melão) e o estabelecimento de regulamentos oficiais de classificação para algumas frutas destinadas a exportação para a União Européia, compatíveis com o sistema de classificação exigido pelos países componentes do bloco.
Para um grande número de fruteiras, a produção no ano de 2008 pode ser melhor que a do ano de 2007. Ao se confirmarem às estimativas do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE, de maio de 2008, as safras da maioria das frutíferas podem superar as do ano anterior. Porém, algumas lavouras estão sujeitas a redução de safra, a exemplo da laranja, que pode registrar uma queda de produção da ordem de 3,12%.
Apesar do baixo consumo per capita, o mercado interno ainda é o principal destino da produção de frutas do país. Ao mercado externo, representado principalmente pelo europeu e norte-americano, são destinados apenas 3% da produção das frutas frescas. Ao contrário do que se pensa, as exportações não são constituídas pelo excedente da produção interna, mas sim da produção em áreas em que são utilizadas tecnologias adequadas de produção, custos competitivos, qualidade de fruto, variedades adequadas, capital, logística e acesso aos distribuidores, o que, infelizmente, apenas uma pequena parcela dos produtores de frutas consegue atender.
O mercado internacional de frutas ainda é uma realidade distante para o Brasil. O país ainda tem um longo caminho a percorrer para ocupar uma posição de destaque, condizendo com a sua importância na condição de grande produtor mundial de frutas. Os motivos que levam o país a ocupar uma posição pífia no mercado internacional de frutas são vários, indo desde problemas na produção e classificação, passando por uma infra-estrutura deficiente, até a falta de tradição no mercado internacional. O potencial de crescimento do Brasil no mercado externo de frutas é muito grande. O país ainda está nos primeiros passos para se tornar um grande exportador de frutas e derivados. O que traz grande alento ao setor frutícola do país é o fato de que o Brasil é um dos poucos países que tem condições potenciais de área disponível e de diversidade de frutas para atender ao crescimento da demanda externa por frutas e derivados.
A grande meta do setor de frutas brasileiro é consolidar-se no mercado internacional não apenas como produtor de frutas tropicais, mas também de frutas subtropicais e de clima temperado, bem como de seus derivados. Para isso, é preciso capacitar o setor e expandir suas fronteiras agrícolas, sem deixar de lado a imagem de confiabilidade, continuidade e diversidade das frutas brasileiras para todo o mundo.
Um dos grandes entraves à exportação de frutas são as barreiras fitossanitárias impostas pelos países importadores, principalmente no que diz respeito ao controle da mosca-das-frutas (Anastrepha spp.) e a mosca do mediterrâneo (Ceratitis capitata), pragas que afetam a produção e a qualidade de uma série de frutas se as condições ambientais forem apropriadas para o seu desenvolvimento e reprodução. Países como os Estados Unidos não aceitam frutas vindas de países que tenham moscas-das-frutas, salvo se estas forem submetidas a rigoroso tratamento para garantir a ausência desta praga. Pesquisas desenvolvidas pela Embrapa e entidades parceiras, como a USP, vem desenvolvendo tecnologias para controle destas pragas, como o projeto de produção de machos estéreis para o controle biológico da mosca do mediterrâneo.
As pesquisas também vem trabalhando na busca de novas cultivares, através do melhoramento genético convencional e não-convencional (uso de biotecnologia), mais produtivas, resistentes ao ataque de pragas e doenças e, em alguns casos, mais adequadas às exigências dos consumidores internos e externos. Além das pesquisas na área genética, uma outra vertente tem como propósito introduzir mudanças no sistema de produção, às vezes pontuais, como é o caso do controle biológico de pragas e doenças, outras sistêmicas, a exemplo das pesquisas voltadas para a produção agroecológica, orgânica ou integrada.
Além de problemas pontuais, como os fitossanitários, existe o desafio de diversificar a produção para a exportação e a ampliação dos mercados destino. As exportações brasileiras de frutas e derivados ainda são muito concentradas em frutas como a uva, melão, manga, maçã, banana, limão e mamão, para mercados restritos como a Europeu e dos Estados Unidos que, juntos, representam 90% dos destinos das exportações.
Para os próximos anos as perspectivas para o setor, tendo em vista os mercados nacional e internacional, são favoráveis. Considerando que o Brasil continua sendo um dos poucos países que poderão suprir o crescimento da demanda internacional de frutas frescas e de seus derivados, o avanço da produção integrada na fruticultura nacional e a possibilidade do aumento do consumo per capita de frutas e sucos no mercado interno do Brasil, desenham a perspectiva de crescimento do setor. Desta forma, tanto através de ações governamentais quanto por ações da iniciativa privada voltadas ao fortalecimento do setor, as perspectivas otimistas vão se concretizar.
Agrolink
Autor: José Luis da Silva Nunes