A Sadia anunciou nesta sexta-feira (17-09) um investimento de R$ 185,3 milhões para ampliar a capacidade de produção de sua unidade em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, que se tornará o maior complexo industrial da empresa.
Favorecidos pelos fortes lucros com a exportação recorde de carnes neste ano após a crise sanitária na Ásia, os frigoríficos brasileiro vivem uma nova rodada de investimentos.
No mês passado, a Perdigão já havia anunciado recursos para melhorar sua logística (R$ 33 milhões) em Santa Catarina, além de investimentos em um centro de distribuição em Marau (RS) e um novo complexo para abate e processamento de peru e chester na cidade goiana de Mineiros.
Esses anúncios ocorrem no momento em que o mercado especula sobre o interesse da Sadia e de sua concorrente Perdigão na aquisição da gaúcha Avipal e da catarinense Chapecó. Como é de praxe, as empresas negam os boatos. No fim do mês passado, a americana Cargill venceu a Sadia e comprou a Seara, entrando no mercado brasileiro de carnes.
Hoje, corretoras leram em uma tradicional newsletter do mercado que a Sadia teria interesse em comprar o frigorífico Minuano. Já o jornal "Valor" informou que a Sadia está finalizando uma parceia com o frigorífico Friboi para retomar as exportações de carne bovina.
Comentando essa notícia, a analista Clarissa Saldanha, do Banco Brascan, divulgou, em relatório, que o impacto dessa expansão da parceria da Sadia com a Friboi será "pouco significativo" na receita da companhia.
Ontem, a Abef (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos) divulgou que o volume das exportações de carne de frango cresceu 30,4% em agosto, em relação a igual mês de 2003. No ano, os embarques já acumulam um aumento de 26%.
Hoje, a corretora Socopa destacou que os dados são positivos para Sadia e Perdigão, os principais exportadores de carnes do país, mas as ações desses frigoríficos já embutem essa expectativa de maiores embarques.
Abate de frango dobra
Do total de investimentos anunciados, R$ 44 milhões serão usados --segundo a empresa-- para o aumento da capacidade de abate de suínos (de 700 mil para 1,6 milhão de cabeças por ano), outros R$ 46,4 milhões para duplicar o abate de frangos (de 42,9 milhões para 88 milhões de cabeças por ano) e R$ 35,4 milhões para elevar o abate de perus (de 7,3 milhões para 11 milhões de cabeças por ano).
A Sadia programou ainda recursos para construir uma nova fábrica de rações (R$ 44,2 milhões) e ampliar a produção de industrializados (R$ 7,5 milhões) e a armazenagem de grãos (R$ 7,8 milhões).